Resenha | Verões Felizes: 1. Rumo ao Sul

É difícil não cair de amores pelo saudosismo que verte dos quadrinhos dessa primeira parte de Verões Felizes, publicada no Brasil pela editora SESI-SP, afim de retratar um sentimento universal de se pertencer a uma jovem família, suas dores e alegrias tão humildes e majestosas, durante um simples passeio a praia e os pequenos dramas corriqueiros que se desdobram disso, no longínquo ano de 1973, tido aqui como inesquecível a quem participou daquele verão.

Estamos atrelados a um espaço-tempo que se torna mágico, ensolarado e colorido justamente por acompanharmos a aventura em forma de flashback dos Faldérault, uma jovem família belga, seu pai, mãe e três filhos, dois deles bastante peraltas e que parecem estar sempre com fome de batata frita. Tudo o que eles queriam afinal era esquecer a monotonia, pegar o carrinho e ir cantando até a praia mais próxima – mesmo que precisem brigar com outros turistas para conseguir um bom lugar para o piquenique.

A partir da lembrança de um casal de idosos, se deparando com os melhores anos de suas vidas após terem vencido a mocidade, o desafio de ver os filhos crescer e de aceitar a idade avançando cada vez mais, somos apresentados a um recorte temporal de um verão que não volta mais, e que parece saltar com seus personagens e suas surpresas de um álbum de fotografias com todo um sabor especial, suave e lenitivo a um presente convidativo ao lado mais encantador da nostalgia.

Através do roteiro do artista Zidrou e dos traços bastante expressivos de Jordi Lafebre, Verões Felizes propõe uma visão revigorante de uma simples ida ao litoral com as pessoas que nos fazem ser quem somos, que nos moldam sem perceber em pequenas ações do dia a dia e que mesmo em momentos especiais, tornam tudo marcante e inesquecível. Zidrou e Lafebre sabem disso, e apostando na saudade sincera que existe numa história dessas, extraem o majestoso do humilde, num conto de veraneio para todas as idades.

A editora SESI lança o primeiro volume da dupla de artistas belga em português, em 2017, com um apreço gigantesco, a começar pelo formato escolhido da publicação, em generosas páginas de tamanho duplo para a história em quadrinhos estrangeira, evidenciando com exatidão o poder da arte gráfica, suas cores magníficas e o carinho empregado no tratamento de cada uma das sessenta páginas de pura diversão e emoções familiares. Dá gosto de fazer parte dessa família, e com certeza, de acompanhá-la nas novas aventuras que ainda estavam por vir.

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