Resenha | Vingadores – A Queda

Vingadores - A Queda

Após compor a releitura de Homem-Aranha para a linha Ultimate da Marvel e assumir uma passagem duradoura e bem-sucedida em Demolidor ao lado de Alex Maleev, Brian Michael Bendis foi convidado a escrever Os Vingadores, um dos grandes títulos da Casa das Ideias e que estava prestes a completar 500 edições lançadas.

Quando autores assumem novas revistas, é comum que estabeleçam pontos de partida selecionando qual material e quais personagens irão trabalhar em sua passagem pelo título, e raramente se preocupam em fechar cronologias anteriores. A escolha de Bendis foi ainda mais definitiva neste aspecto. Em sua estreia, promoveu a saga A Queda (publicado no país em Vingadores #21 a #24, em um encadernado especial, em 2008, e pela Coleção Graphic Novels da Salvat #34), implodindo a equipe em uma história de despedida e encerramento do título, o qual existia desde a década de 60.

Publicado em quatro partes, três delas nos títulos de The Avengers e o final em uma edição especial (além da repercussão dos fatos em cada mensal específico), a trama acrescenta um pouco da textura realista que seria desenvolvida posteriormente em diversas revistas Marvel através de ações cujo ponto máximo é a megassaga Guerra Civil, que colocou em lados opostos herói contra herói. Em A Queda, Os Vingadores começam a sofrer uma série de ataques consecutivos de seus maiores inimigos e não conseguem estabelecer um motivo ou quem está por trás destas ações com Skrulls, diversos Ultron, entre outros. O vingador Valete-de-Copas, morto em ação em uma aventura no espaço, retorna à mansão dos Vingadores para explodir o local, deixando a equipe sem sua tradicional base de operações. Simultaneamente, Tony Stark sofre um surto psicológico em um discurso como embaixador dos Estados Unidos, e o apoio da nação à equipe é retirado.

Enquanto recebem visitas de consolação da vasta comunidade de heróis, reconhecendo o status dos Vingadores como um dos grandes grupos, as pequenas fissuras internas da equipe, com base em ideologias diferentes, serve de atrito para o grupo. O embate entre Tony Stark e Capitão América se apresenta desde este momento. Perdendo milhões com a destruição da mansão e sem o cargo de embaixador, Homem de Ferro abandona o grupo e se transforma no algoz culpado pela falta de esperança em recomeçar. De maneira honesta, cada vingador expõe sua insatisfação e decide temporariamente abandonar o posto, deixando Steve Rogers como a única chama resistente. Além da representação pública de cada herói, observamos pessoas normais vivendo conflitos naturais devido à convivência diária e à rotina.

Mesmo sem uma trama brilhante, justificável pelo fato do roteirista estar iniciando sua obra com cada personagem, a dramaticidade é interessante para demonstrar o interior de cada herói e ousada ao destruir um grande grupo para reconstruí-lo de outra maneira. O roteirista foi criticado na época por tais modificações e por usar os ganchos usuais para sagas de modificação, como a morte de personagens importantes. Visto com distanciamento, é perceptível o plano a longo prazo desenvolvido nas histórias tanto dos Vingadores quanto do universo Marvel como um todo, criando uma coesão temporal entre acontecimentos. Afinal, (spoiler na próxima linha) a mesma vilã responsável pela destruição da mansão e dos ataques sucessivos, a Feiticeira Escarlate, também é personagem central da Dinastia M quando modifica a realidade matando a maioria dos mutantes do mundo.

Bendis foi corajoso em encerrar um título longevo para reconstituir a equipe em uma outra direção. Após 503 títulos, a editora lançava um edição final com a participação de diversos desenhistas e roteiristas, que passaram pelo título com suas personagens relembrando grandes acontecimentos dos Vingadores. Uma homenagem que observava o passado escrito até então para, enfim, começar uma nova fase na equipe.

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