Resenha | Viúva Negra nº 1

Viuva Negra (Nova Marvel) - capaCriada como uma das vilãs de Homem de Ferro, a personagem de Natasha Romanoff passou por mudanças eventuais nestes últimos anos devido ao sucesso do universo Marvel nos cinemas. A Viúva Negra sempre participou de histórias diversas desde sua criação e posterior mudança de status quo ao se tornar uma Vingadora. No início da década passada, estrelou edições especiais e duas revistas próprias, cancelada com poucos números. Sua visibilidade surgida desde Homem de Ferro 2 garantiu mais uma revista em momento oportuno, situada na segunda fase da Era Nova Marvel intitulada Totalmente Nova Marvel, época em que a personagem se destaca como uma das grandes heroínas da editora.

Nathan Edmondson, que também assina a nova fase de Justiceiro em Justiceiro: Preto e Branco, é o responsável pelo roteiro, enquanto os desenhos ficam a cargo de Phil Noto. Como a maioria das edições desta nova fase busca um ponto de partida, a história apresenta Natasha tentando reparar seus erros do passado como agente da KGB, aceitando missões em que possa ajudar a manter a paz mundial, seja com extermínio de ditadores ou de outros homens com alto grau de peliculosidade. Ao seu lado, um advogado serve como apoio, cuidando das transações bancárias e do background da ação em cada local de origem, um planejamento que Viúva intitula de teia: um estudo sobre o local da missão, bem como um ambiente para se esconder após concluí-la.

Lançado em encadernado pela Panini Comics, este primeiro volume compila as seis primeiras edições desta nova fase. As tramas são narradas pela própria personagem, vivendo um conflito interno sobre a potência de seu trabalho e a criação de possíveis laços, afastando-se, até mesmo, de uma gata de rua, para manter a frieza como espiã. Assim, as tramas acompanham missões de Natasha pelo mundo.

Para uma das espiãs mais letais da Marvel, Edmondson comete o mesmo erro de concepção em suas histórias de Justiceiro, como se não conhecesse, de fato, a personalidade do personagem central. Natasha não transparece confiança, muito menos alta inteligência. As narrações apresentadas ao leitor soam pueris, e não de alguém com um histórico poderoso e dramático profissionalmente. Nenhuma história tem enfoque ativo na espionagem, e ainda nos coloca em dúvida se situarmos tais tramas no contexto geral envolvendo Os Vingadores: diante de um cenário em que a personagem claramente é uma mercenária de aluguel, como sua equipe de heróis reagiria diante disso? Parece incongruente e, ainda assim, o roteiro nem mesmo se questiona a respeito, nem demonstra sua faceta como Vingadora.

Se o roteiro se mantém tão morto quanto a outra obra do autor no estúdio, a arte é o grande destaque. Compondo em tons pasteis, Noto produz um visual diferente dos quadrinhos tradicionais, com cores mais claras do que de costume, que harmonicamente completam belos painéis detalhados mas sem excessos. Quadros limpos contendo somente a informação necessária e bem equilibrada em cores harmônicas, nas quais o vermelho se destaca devido à associação com a personagem central.

Dentro do universo dos Vingadores, a Viúva Negra chama a atenção como uma super-espiã com poucos superpoderes. Em sua trajetória, conta somente com modificações corporais na época em que atuava na KGB, dando-lhe maior habilidade e resistência. Em outras palavras, é quase como uma heroína humana. Tal argumento é um fator interessante que poderia ser explorado com mais atenção, demonstrando como uma personagem com menos poder letal se destaca para se tornar uma vingadora, bem como ter aproveitado o background da personagem e inseri-la em boas tramas de espionagem.

Tais possibilidades são deixadas de lado pelo roteirista, que opta por tramas voltadas para a ação de uma agente que não aparenta perícia em nenhuma de suas artes e ainda se apresenta ao público com dúvidas risíveis de existência. Uma história que apenas merece destaque graças à arte de Noto, visualmente notável.

Viuva Negra Nova Marvel - 01