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Resenha | Wolverine: Origem II

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Wolverine - Origem II

As lacunas deixadas no passado de Wolverine sempre foram um espaço pelo qual roteiristas desenvolveram novas histórias. Em 2002, a Marvel Comics iluminou parte dessa história na minissérie Origem, apresentando sua infância até então inédita. O sucesso de vendas e a repercussão da narrativa fizeram desta trama uma leitura obrigatória da personagem, dentre as diversas releituras feitas sobre seu passado. Visando sempre o lançamento de produtos lucrativos, uma sequência foi lançada no ano passado nos Estados Unidos.

A Panini Comics lançou a obra direto em encadernado com o atraso de um ano do original, uma defasagem natural dos títulos brasileiros em relação aos americanos. Formado por cinco edições, o roteiro de Kieron Gillen intenta retomar os acontecimentos da primeira história, mantendo um traço semelhante ao de Adam Kubert, assinado pelo irmão Andy. A princípio, Wolverine - Origem II não traz nenhuma novidade no passado de Logan, inserindo apenas conflitos básicos vistos em outras histórias.

A primeira parte da história apresenta o momento mais inventivo. Imerso na floresta, longe da sociedade, Logan encontrou a paz ao conviver com uma família de lobos no Canadá. Acompanhando estes acontecimentos que, consequentemente, terminam de maneira trágica para iniciar a história, a reflexão inicial é poderosa contrastando com a paz selvagem da personagem. As cores de Frank Martin e Rain Beredo destacam estes contrastes pela escolha de uma paleta de poucas cores, as quais enfatizam cada quadro e fogem do estilo à lápis da primeira narrativa, demonstrando que há um tempo diferente daquele visto na infância.

Além desta primeira história focada na floresta, Origem II nada acrescenta. Logan se mantém como um fugitivo que recorta pouco de seu passado e retorna à civilização como um recomeço, readaptando-se à sociedade e reconhecendo que a humanidade é terrível por definição. Um conceito comumente presente em muitas de suas histórias. Devido a boatos sobre um homem primitivo visto no Canadá, a personagem permanece em fuga enquanto grupos de caçadores tentam buscá-lo, destacando as mesmas bases da primeira Origem: há um vilão aparente – o vilão Nathaniel Essex antes de se tornar Sr. Sinistro – e uma mocinha que, coincidentemente, é gentil e com o rosto dilacerado, como aconteceu com Rose.

Gillen falha até mesmo ao tentar criar uma trama com algum espécie de polaridade positiva. O vilão não é ameaçador; Logan passa a maior parte do tempo desorientado, e falta um narrador à obra que conduza sua história. Sem utilizar um narrador em off, perdeu-se a possibilidade de uma possível reflexão como nos diários da jovem na trama anterior, comparação inevitável de se fazer quando estamos dialogando sobre uma obra de mesmo nome lançada como continuação. Ao final da história, o roteirista ainda tenta forçar um gancho sem impacto. Fazendo desta sequência uma trama pálida e comum a tantas outras tramas que apresentam a selvageria de Wolverine demonstrando que é melhor naquilo de faz.

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Origem 2 - Wolverine -

Thiago Augusto Corrêa

Apreciador de cinema, literatura, quadrinhos e música. Formado em Letras, escritor e metido a sabichão.
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