Resenha | Y – O Ultimo Homem: Volume 1

Y - O Ultimo Homem - volume 1

Lançado em 2002 pelo selo Vertigo da Dc Comics, Y – O Último Homem foi distribuído inicialmente no país pela Opera Graphica e, em seguida, pela Pixel Media, editoras que lançaram somente o inicio da saga. A partir de 2006, a Panini Comics adquiriu os direitos de publicação e lançou-a na íntegra em dez encadernados em capa cartão. Agora a série ganha relançamento edição de luxo em capa dura.

O primeiro volume lançado em setembro reúne dois arcos narrativos em uma série que será publicada novamente na íntegra em cinco volumes. Escrita por Brian K. Vaughan com arte de Pia Guerra, Y é uma genuína história de ficção científica que utiliza a evolução biológica como argumento para um futuro em que os homens, e portanto, o cromossomo Y, foram dizimados da Terra, uma destruição responsável pela morte de 48% da população mundial. As únicas exceções masculinas sobreviventes é um jovem ilusionista chamado Yorick Brown e seu macaco de estimação, Ampersand.

Em uma situação na qual os homens são exterminados, cabem as mulheres assumir a totalidade do planeta, vivendo sob a dúvida da continuidade de todas as espécies mundiais. Considerando um momento contemporâneo em que se dialoga a respeito da força do homem e da mulher diante da sociedade, a trama aponta para um caso extremo de necessária reconstrução. Como o único homem sobrevivente, Yorick se torna um personagem perseguido, obrigado a ocultar sua presença para não ser desmascarado. Em um primeiro momento, nem o leitor nem a personagem sabem as razões que levaram a destruição do cromossomos Y. Dessa maneira, ele se torna a provável única esperança para a continuidade da espécie humana.

O primeiro arco narrativo, Extinção, se desenvolve em um espaço de dois meses, em um primeiro passo modificador em que as mulheres são obrigadas a assumir os postos deixados pelos homens para manter a continuidade do progresso. Vaugh tece o roteiro com delicadeza diante da discussão entre uma sociedade erigida por homens e mulheres. Embora ambos os sexos sejam capazes de exercer atividades diversas, historicamente os homens foram símbolo da composição da sociedade. A teórica Camille Paglia analisa que este processo foi fundamental na separação de papeis na sociedade em que, desde eras primitivas, o homem se destacou como uma força bruta e a mulher como força maternal. A intelectual atribui esta divisão não apenas a uma vertente de pensamento em que o homem seria preponderante – e com isso, deixaria a mulher a margem – mas a composição biológica entre ambos os sexos. Para ela, a biologia seria fundamental para a discussão, e que tanto o homem quanto a mulher seriam imprescindíveis para a composição da sociedade, desde sua fundamentação biológica à social.

A mulher se torna na narrativa um elemento dominante para qualquer atividade e, ao mesmo tempo que assume papeis que historicamente foram mais favoráveis aos homens, adquirem uma culpa desnecessária sem saber a causa genocídio masculino. O personagem de Yorrick é um implícito salvador da humanidade, ainda que seja um adolescente infantil sem nenhuma percepção de si mesmo. Seu nome retoma uma das personagens mais sábia de Hamlet, peça fundamental da dramaturgia de Shakespeare, mas não aparenta ser nada mais do que um jovem ainda ignorante de sua importância.

O segundo arco narrativo, Ciclos, se apoia em uma viagem pelos Estados Unidos que unirá as personagens centrais da trama, destacando uma geneticista que acredita ser a responsável pela morte dos homens ao realizar uma inseminação artificial com um clone de sua própria genética. A equipe atravessa diversos estados para chegar até o laboratório da doutora, afim de estudar Yorrick e seu macaco. Uma viagem que demonstra diferentes pensamentos sociais, desde os mais extremistas, com um grupo de novas Amazonas que odeiam a figura masculina e sua sociedade patriarcal, a grupos que se uniram ativamente para manter a cidade ativa e compreendem a necessidade do homem no equilíbrio biológico.

As dez histórias deste encadernado, produzem a atmosfera necessária para a trama, inicialmente promovendo o conflito para em seguida apresentar como em diferentes locais as mulheres se organizaram para dar continuidade a sociedade, fundamentando as bases para o desenvolvimento da trama. Vencedor de um Eisner Award por Melhor Série, Y – O Último Homem – Livro Um é um inicio bem estruturado e coeso de uma ficção científica equilibrada entre a aventura e a reflexão, um segmento tradicional do gênero, sempre se valendo de uma narrativa especulativa para estudar a sociedade.

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Y - Ultimo Homem - 1