Quadrinhos

Resenha | Zagor: Edição Especial em Cores Nº 2

Compartilhar

Livre de contar a origem do personagem da forma mais cativante possível, a dupla Guido Nolitta e Gallieno Ferri seguiram esse nível de qualidade ao longo das próximas aventuras de sua maior criação, o mítico Zagor, tipo como o guardião da floresta de Darkwood. Agora, ao “espírito da machadinha” são dados novos e delirantes desafios para que o herói americano demonstre toda sua bravura e benevolência, no tocante aos perigos enfrentados junto de Chico, seu atrapalhado parceiro mexicano mundo afora. O Caçador de Homens e Um Dia Azarado foram publicados juntos no Brasil pela editora Mythos, num caprichoso trabalho gráfico a explorar estética e narrativamente, nesse número 2 das edições desse gibi clássico, todo o potencial da jornada de Zagor e seus amigos num mundo cada vez menos ameaçado por índios, e sim, por homens brancos feito o próprio.

Sob esta contradição étnica (principalmente se notarmos o claro preconceito aos povos nativos dos EUA que algumas histórias de Zagor tanto demonstram), desenrolam-se duas histórias rápidas: na primeira, e mais direta ao tema, vamos com o herói e Chico ao encontro de outros aventureiros que, uma vez por ano, se reúnem para beber e contar suas “histórias de pescador” – e, claro, celebrar uma vida livre na natureza, até sua paz ser revogada por um ataque surpresa a festa, o que deixa a todos em pânico. Ficamos sabendo junto de todos que o famoso Lorde Alex Nicholson está em Darkwood, e já começou a fazer suas vítimas. Um milionário excêntrico, cansado de caçar apenas animais selvagens e que se propôs a perseguir (e empalhar em sua sala de troféus) o mais fatal dos bichos: o ser humano.

Após ser afastado da celebração anual dos nômades, homens tão livres como o vento, é claro que Zagor e Chico vão se colocar no caminho de Alex Nicholson, e pagar um bom preço por isso. A seguir, em outro saboroso conto com puro gosto de nostalgia (os desenhos são típicos dos anos 60, e os diálogos são explicativos e espirituosos como se espera das publicações da época), trilhamos agora os passos do cafajeste Guitar Jim, um ladrão loiro que engana e mata todos por onde passa. Sempre se aproveitando do próximo, Guitar Jim não sabe lutar, e nem tem grandes planos tal o caçador de homens ou outros vilões, mas é o único que consegue enganar repetidas vezes nossa querida dupla heroica – e mais atrapalhada do que eles gostariam de ser.

Ambos os antagonistas de O Caçador de Homens e Um Dia Azarado são iguais a eles, ensinado Zagor e seu escudeiro gorducho que o perigo não está sempre no diferente, e sim, muitas vezes, nos seus imediatos semelhantes. É interessante, em certo momento, como Zagor precisa deixar racismos de lado e unir brancos e vermelhos em prol de um bem maior, reconhecendo a importância da igualdade e o valor de sua posição consolidadora – para uns, apenas um amigo de aventuras, e para outros, um salvador enviado por Deus. Os autores Nolitta e Ferri se mostram mestres das histórias em quadrinhos, nos fazendo sorri e mergulhar nessa mirabolante criação que já pode – e deve – ser considerada um clássico encantador das HQ’s mundiais.

Compre: Zagor: Edição Especial em Cores Nº 2.

Facebook – Página e Grupo | TwitterInstagram | Spotify.

Douglas Olive

Cinéfilo formado em publicidade e iniciante com "Os Aristogatas", que assistia 5 vezes por dia na infância, e que agora começa a querer fazer seus próprios filmes. Devo estar indo longe demais.
Veja mais posts do Douglas
Compartilhar