Resenha | Os Caça-Fantasmas – Mangá

Em 2009, quando os mangás finalmente entraram com força no nosso país, a NewPop resolveu buscar na gringa uma publicação um pouquinho diferente para lançar em terras brasucas. “Os Caça-Fantasmas” reunia um clássico do cinema com o estilo oriental de desenhar para trazer ao mercado nacional uma publicação para quem não era muito fã das loucuras dos roteiros japoneses mas gostava do traço “sujo” da galerinha do olho puxado. Então… Finalmente li o mangá e, abaixo, vou contar o que eu achei.

O mangá dos caçadores de fantasma mais famosos do mundo traz três histórias que captam bem a essência da comédia que, tenho certeza, todos adoramos na TV. As estórias acontecem após os eventos do segundo filme da série, quando Peter e toda sua trupe de caçadores enfrentaram o poderoso Vigo. Na primeira aventura do livro, os Caça-Fantasmas precisam ajudar um diretor de teatro a enfrentar um fantasma que teima em atrapalhar as apresentações de sua peça. O arco principal do mangá coloca os caçadores contra um antigo inimigo de carne e osso que se alia a uma tropa de espíritos. Para fechar a publicação, uma assombração do mundo da moda decide transformar todos os habitantes de Nova Iorque em escravos de suas roupas e precisa ser confrontada pelos únicos que podem combatê-la. Sem contar muito de cada estória para não estragar a leitura, é isso que posso lhes dizer.

A HQ é fácil de ler, apesar de suas 180 páginas (eu, por exemplo, li tudo em 30 minutos). O papel utilizado é bom (o título é impresso em papel Offset e tem a capa cartonada) e a impressão é de boa qualidade também. Todas as páginas do interior são impressas em P&B e tem um traço estilo mangá mesmo, como promete a editora. Mas algumas coisas não me agradaram muito.

A principal delas, talvez, seja a orientação da leitura. Em 2009, quando a publicação foi lançada, a leitura “de-trás-para-frente” dos mangás já não era mais novidade. Peguei a edição para ler pois ela havia sido vendida como mangá, e esperava encontrar o típico estilo de leitura das obras orientais. Passada a primeira má impressão que tive quando comecei a ler a obra de forma ocidental, atentei-me um pouquinho mais ao traço dos artistas. São 4 desenhistas diferentes que produzem a arte das estórias, e para mim eles emulam o traço dos mangakás japoneses muito bem. A arte, entretanto, pareceu um pouco confusa em certos momentos, e os traços dos personagens principais não se assemelham ao dos atores dos filmes (talvez por um empecilho legal?). Exceção ao rosto do Winston, precisei esperar até os personagens se apresentarem para saber quem era cada um. Mesmo depois disso, como o traço muda um pouquinho de uma estória para outra, ainda confundi o Peter e o Ray algumas vezes (o único que escapou dessa confusão dos personagens foi Egon, graças aos característicos óculos fundo de garrafa).

Também acho que todas as estórias presentes na publicação ficaram um pouco corridas demais, mas esta é apenas uma opinião pessoal. Acho que o mangá se sairia muito melhor e seria muito mais interessante se tivesse apenas uma grande estória, ou fizesse a ligação das pequenas em um grande enredo. As aventuras do início e final são muito melhores e mais divertidas que a principal, que é divida em quatro capítulos no meio da HQ.

Há de se exaltar, entretanto, o tom humorístico dos roteiros. No geral, a arte não consegue ser tão engraçada quanto os diálogos da HQ, apesar de tentar, mas o livro tem um tom de humor muito legal. Os diálogos são cheios de piadinhas e referências a cultura brasileira, o que demonstra que a obra que chegou até as minhas mãos não foi simplesmente traduzida e sim adaptada. Neste ponto, “Os Caça-Fantasmas” acerta no tom e relembra realmente os filmes que eu vi antigamente.

É uma HQ que definitivamente não tenta ser séria e por isso diverte em alguns atos. Com trechos de ação confusos em alguns momentos e arte não mais do que satisfatória, a HQ propõe alguns minutos de leitura leve e descompromissada que traz diálogos divertidos e humor estilo anos 80/90. Ao melhor estilo “fácil de ler, fácil de esquecer”, o mangá se mostrou aquém do esperado, infelizmente.

Texto de autoria de Nicholas Aoshi.