Resenha | Uma Vida Chinesa – II. O Tempo do Partido

A segunda parte de Uma Vida Chinesa, lançado pela WMF Martins Fontes, dá sequência imediata a história vista na parte I – O Tempo do Pai. Porém, nessa parte intitulada O Tempo do Partido, a obra ganha um contraste emotivo maior, bem como o enfoque aprofunda o personagem central, Li, testemunha ocular da evolução da China.

A primeira parte da história focava em seu pai, apresentando as modificações da China a partir da instauração do socialismo, liderados por Mao-Tse Tung. Produzindo um relato ao mesmo tempo pessoal sobre as turbulências passadas pela família e contextual sobre as modificações sofridas pelo país no período. Na segunda parte, encontramos um Li mais maduro. Observando com maior atenção os contrastes de seu país sem estabelecer uma postura crítica negativa como apresentada no início. Com a morte de Mao, a China passa por novas mudanças, estabelecendo pequenas aberturas externas bem como reconhecendo que algumas ações do passado, como a revolução cultural, tiveram seus excessos. Revendo seus próprios erros em um processo chamado autocrítica, o partido procurou avançar sempre com o apoio da população.

O período abarcado pela trama, entre 1976 a 1980 é fundamental para que Li amadureça. O roteiro opta por aprofundar sua transformação sem destacar em demasia as modificações da China na época. O registro se torna pessoal apresentando o crescimento da personagem tanto profissionalmente como desenhista, melhorando seus traços, como intelectualmente, através de duas experiências ligadas ao socialismo chinês: defender a pátria e compreender o valor do campo. Dessa forma, o personagem se alista no Exército e, posteriormente, responsabiliza-se pelos cuidados de um campo de plantação. Ainda que o período seja curto, viver tais momentos geram uma outra visão na personagem, compreendendo na prática parte dos valores propostos pelo Partido Comunista Chinês, bem como reconhecendo que nem tudo funciona devido a corrupção de pequenos grupos.

Tornando-se um homem correto, de regras e trabalho duro, Li segue os preceitos de ordem verificando na prática a importância do trabalho no campo. Fatores que o fazem desejar entrar para o Partido. Mesmo a prisão do pai, enviado por dez anos a reeducação, não se torna um fator negativo, afinal, tratava-se de um novo momento na China em que tais erros não seriam mais cometidos. Sua indicação é realizada através de sua arte, publicada em alguns jornais até chamar atenção da publicidade e propaganda do partido que o convida a integrá-lo para ajudar na divulgação dos novos líderes políticos do país.

Uma Vida Chinesa – II. O Tempo do Partido enfatiza mais a jornada pessoal de Li do que o contexto da China. Uma estratégia bem composta em, inicialmente, apresentar a história Chinesa para que o leitor compreendesse melhor as motivações de seu personagem central, demonstrando como ele viveu durante esses anos de transição e, por consequência, compreendendo como o povo chines viveu na época.

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