Review | Aquaman (Piloto)

Há muito tempo atrás, no ano de 2006, quase como um spin off de Smallville e que jamais deu certo, Aquaman seria adaptado para as telinhas, contando com Justin Hartley no papel principal, começando por um acidente estranho, envolvendo uma criança e sua mãe e depois a sobrevivência do garoto, que foi salvo por baleias e outros bichos. Nessa parte, o aqua-baby era interpretado por Graham Bentz.

Curiosamente, Hartley não havia feito o herói no seriado do Superboy, lá Arthur Curry era vivido por Alan Ritchson, e apareceu lá outras 4 vezes (este ator vive Hawk na nova série dos Titãs, alias, é figura carimbada em adaptações para os quadrinhos), ou seja, Momoa não é nem o segundo interprete do personagem. Hartley viveu o Oliver Queen no programa de Alfred Gough e Milles Millar, mas não seguiu para a série Arrow.

O clima dessa versão do herói dos mares da DC é de verão total, a historia se passa na beira da praia perto do Triangulo das Bermudas, que foi onde sua mãe desapareceu. Os dias de Arthur são ocupados com brincadeiras com golfinhos, fato que o faz ser preso já que ele libertou golfinhos que deveriam estar presos em um parque aquático, e logo percebe-se que o rapaz tem habilidades especiais, ele nada muito rápido, e seu colar aparentemente gera algum tipo de comunicado com o mar.

As cenas dele nadando em alta velocidade são artificiais bem ao estilo das séries dos Power Rangers, e a pós produção não salva em nada, pois Smallville tinha momentos toscos mas não tanto quanto aqui. A série não foi para frente porque na época em que estrearia, no outono de 2006 a rede de televisão da Warner estava se fundindo com a UPN, formando então a CW, e o projeto não parecia firme o suficiente para estrear.

Há muitos elementos dos quadrinhos alardeados, como a proximidade do herói com golfinhos – em algumas versões ele foi criado pelos mamíferos aquáticos – e o aparecimento de um atlante clamando por Oren. Outra coincidência curiosa é que Nadia, a sirena/sereia que atacou Arthur e que também matou sua mãe é interpretada por Adrianne Palicki, que inclusive quase aparece nua, mostrando que a série ousava bem mais que Smallville. Ela gravou o piloto de Mulher-Maravilha que também foi cancelado em 2011.

Esta versão é bem menos galhofada que a de Mulher Maravilha, há um tom mais sóbrio, mas nada sombrio como viria a ser a estética que Zack Snyder empregaria no cinema. Há  aquele uso meio bobo de figurinos que lembra as roupas de herói, com Hartley sempre utilizando blusa laranja e shorts verdes (por mais que as cores não combinem em nada nem com o seu estilo nem com o lugar praiano), mas apesar dos efeitos terríveis e dos muitos personagens caricatos, como o mentor McCaffrey de Ving Rhames e os efeitos especiais dele variando entre a condição de humano e “sereio”, a vilã que Palicki faz é bem executada mesmo com os efeitos toscos e sua canastrice.

A sensação que fica ao se assistir atualmente esse especial é de um coito interrompido, de uma proposta que poderia dar certo como Smallville, uma gênese que não pôde ser desenvolvida por desinteresse de quem produziu, reunindo em si as mesmas condições tórridas  que Smallville tinha e que Arrow e Flash teriam, mas com um investimento menor e atuações claramente menos carismáticas.

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