Review | Arrested Development – 5ª Temporada (Parte 1)

A quinta temporada de Arrested Development quase não aconteceu. Em 2013 foi lançada a quarta temporada, muito criticada por quase não colocar os personagens da família Bluth juntos em tela, e posteriormente, lançaram Fateful Consequences, um remix desses mesmos episódios. Agora, para tentar concorrer ao Emmy, Mitchell Hurwitz lança a quinta (e provavelmente última) temporada, dividida em duas partes. Após muitas polêmicas, envolvendo acusações a Jeffrey Tambor de comportamento abusivo na série e em Transparent, finalmente vem a luz a quinta temporada, com cinco anos de hiato.

O primeiro de oito episódios começa mostrando Michael (Jason Bateman), com seu destino bem encaminhado, trabalhando longe da sua família, e para variar, ele tem de voltar a casa modelo, onde encontra Buster (Tony Hale), com uma mão mecânica no lugar do cotoco, e misteriosamente, depois da sua ultima participação na temporada passada, onde estava sendo preso.

O imbróglio com seu filho, George Michael (Michael Cera) é resolvido de uma maneira engraçada, que se choca cronologicamente com o mostrado na quarta temporada, já que o visual de Cera e Bateman claramente é de 2018, e não de 2013. As cenas com fundo falso e tela verde deixaram de ser algo vergonhoso para o programa e se tornaram parte das piadas, especialmente quando se mostra Tobias (David Cross) lidando com sua paciente, Lucille (Jessica Walter), em uma casa de praia cuja vista é tão artificial quanto os Sharknados, do canal Syfy.

Após os acontecimentos do Cinco de Quatro passados, Lindsay (Portia de Rossi) entra para a vida política, e para melhorar sua reputação, os Bluth seriam premiados como família do ano. Basicamente isso é um pretexto para reunir todos juntos, e mostrar Tobias tentando interpretar Michael, que claramente quer se distanciar dos demais parentes, exceção é claro de seu filho, que tem uma rusga claramente não bem resolvida entre eles.

Talvez seja o fato dessa ser uma temporada exibida pela metade, mas a sensação de que o humor que Mitchell Hurwitz impõe ficou menos afiado é nítida, enquanto a carga emocional em direção a depressão é bem maior, em especial pelo papel de George Sênior. Claramente as interações entre os personagens não é como era antes, mesmo Will Arnett e Bateman não parecem mais tão entrosados, o mesmo para Bateman e Cera.

Se perde um tempo enorme em torno da tentativa de liberar Buster, assim como na extensão da farsa do Fakeblock, esperava-se que Arrested Development abordasse algum tema mais atual, como o uso das redes sociais e dos celulares como método de contato entre as pessoas, mas não. O único ponto que parece ter algum laço com a realidade tangível, é um pequeno comentário de Lucille a um discurso de Donald Trump, a respeito do muro entre os territórios americanos e mexicanos, mas até isso soa atrasado demais, e já bastante óbvio dentro do universo de séries e filmes americanos.

Não é só a temporada que está inacabada, mas a maior parte das piadas também parece, e nem é pela questão dos destinos não estarem em vias de ser selados, mas porque a maioria das partes cômicas ou não são tão inspiradas, ou simplesmente não casam com os personagens que as proferem. O episódio derradeiro tem mais de trinta minutos, e é um pouco mais engraçado do que o restante da temporada. Os números em preto e branco, imitando o cinema mudo são bem divertidos, assim como a rivalidade revivida entre Tony Wong (Ben Stiller) e Gob (Arnett), mas ainda assim, é pouco. O mote do mistério relacionado ao paradeiro de Lucille 2 se arrasta e claramente só será explorado na segunda parte da série, assim como a estranha ausência de Lindsay, que faz perguntar se o fato da eleição e da campanha que fez será mais explorada, ou se Portia de Rossi está brigada com a produção e com o restante do elenco, no entanto, mesmo excluindo especulações e possíveis escândalos extra-filmagens, o resultado desta parte de Arrested Development é um produto sem fundamento e sem um mínimo desfecho. Se a ideia é tentar concorrer a premiações, certamente elas não virão, pois não está engraçada, bem atuada ou com roteiros minimamente bem escritos.

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