Review | Dragon Ball GT

Continuação não canônica de Dragon Ball Z, exibida logo em seguida ao término do outro anime através da Toei Animation, Dragon Ball GT se passa cinco anos depois do Torneio de Artes Marciais em que Pan é apresentada, pós saga Dragon Ball Z; Saga Majin Boo, e começa mostrando Goku e Oob treinando na plataforma celeste, onde vive o Sr. Popo e Dende. Akira Toriyama quis terminar em 1995  a série de mangá mas a Toei decidiu continuar a série de anime, enquanto a fase Boo de DBZ ainda estavam sendo exibida já estava sendo criada a equipe para a continuação. Osamu Kasai foi escolhido como diretor, Aya Matsu e Jun Maekawa como os roteiristas, enquanto Katsuhiro Nakatsuru, o criador do personagem Bardock, ficou responsável pelo desenho dos personagens e também colaborou na criação de diferentes storyboards.

O drama começa com o Rei Pilaf achando no templo algumas esferas estranhas, que teriam sido criadas por Kami-Sama antes dele dividir-se em duas consciências. Delas, sai um dragão vermelho, (uma versão maligna de Shenlong), as esferas por sua vez, tem estrelas negras e intuito claramente maligno. O vilão pede para que Goku volte a ser criança, achando que assim o venceria, e para reverter isso,seria necessário achar as tais esferas negras que se espalharam pelo universo, sob pena da explosão da Terra. Gohan se oferece para viajar com Goku, mas Vegeta – com um belo bigode – decide colocar Goten e Trunks na nave, a fim de viajarem com o protagonista, no entanto, a adolescente Pan vai no lugar do seu primo.

Nessa primeira saga, Viagem pelo universo, Trunks é mostrado como um sujeito entediado nos afazeres da Corporação Cápsula. Mal sabia ele que a sua jornada seria ainda mais enfadonha e repleta de mornidão. A maior parte dos eventos nesses primeiros capítulos se resume ao trio de protagonistas viajando por planetas estranhos, onde os adversário são fracos, com nenhuma transformação em super saiyajin, com o tempo aparece um novo personagem o irritante robozinho Gill que absorve o radar do dragão, e se junta aos aventureiros rivalizando com Pan no posto de mais insuportável personagem. A disputa reside no autômato repetir seu nome/bordão a todo momento enquanto a garota  chama Goku de vovozinho de uma maneira estridente, também bastante insuportável e também a todo momento.

Boa parte dos dramas mostrados nesses capítulos soam como remake de momentos clássicos. Ao mesmo tempo em que se muda o paradigma de Goku e os outros lutando contra seres mais e mais poderosos, não se abre mão da enorme escala de poder que os guerreiros Z chegaram. A tentativa de resgatar o clima aventuresco da fase clássica em Dragon Ball Arco de Goku esbarra na facilidade que Goku teria em vencer absolutamente todos os vilões com um simples estalar de dedos, mas mesmo assim, o roteiro insiste em tentar introduzir um antagonista, o Dr. Myuu, que é um sujeito brilhante que cria máquinas mutantes poderosas, que fazem alguma frente a Goku e Trunks.  A disposição de cores dos vilões é feia e risível,  e essa estranheza faz lembrar os piores momentos das animações da Filmation como He-Man e She-ra, mas sem o charme dessas séries bem antigas.

Algumas fontes de enciclopédias oficiais apontam que Rildo seria mais forte até que Majin Boo, mas Goku deixar-se capturar pela Tropa Canon não faz o menor sentido, mesmo ele sendo uma criança corporalmente ele não é uma em sua mente tampouco é burro, seu poder é sobre humano e capaz de destruir planetas, não seria uma prensa metálica que o seguraria.

Para vir um inimigo poderoso de fato, se passaram 22 episódios até chegar Baby. Todo o conceito em torno de Baby, dele sobreviver através das células que se espalham depois de sua suposta morte e o fato dele matar a pessoa que o programou – embora seja revelado que na verdade foi Baby quem programou todas as maquinas mutantes e não Myuu – faz lembrar muito a revolta do Número 17 com Maki Gero. Ainda no quesito reciclar conceitos, há uma tentativa de evolução nos vilões de DBZ. Cell absorvia os androides 17 e 18, Boo absorvia quem quisesse para se tornar ainda mais forte, e Baby não tem absolutamente nada de original em si, pois é um parasita, toma o corpo de alguém poderoso, de forma parecida com o demôn1io rosa, a diferença é sua raça, Tsufurujin  e seu desejo de vingança a raça de Goku e Vegeta. A situação só melhora quando o vilão chega a Terra, onde o roteiro se tornar mais urgente, com algumas lutas legais, que obviamente resultam em mais uma destruição do planeta. Mesmo conceitos legais, como a fusão de Oob e Boo são sub utilizados, até porque se insiste em por o protagonismo de novo em Goku, alipas, a tentativa de trazer seu rabo de volta, como se não fosse uma má ideia por si só, entra em contradição com a fase clássica de Dragon Ball, já que Kami Sama selou magicamente o rabo do herói, e isso seria levado como conceito evoluído em Dragon Ball Super, onde se explica que a condição de rabo nos saiyajins é uma condição de gene recessivo.

A luta de Baby é cheia de reviravoltas, durante esses momentos, Goku e Pan lembram de uma vez que eles foram a praia, e que o guerreiro disse que talvez aquele estado de paz fosse o ideal, e considerando que Goku teve envolvimento direto com o fato de Pilaf ter utilizado as esferas negras, talvez se ficasse quieto, jamais Baby teria sido liberto, talvez toda a saga de GT sequer existiria. Ao menos a transformação no Super Saiayjin fase quatro é visualmente arrojada, estilosa e sua participação é  poderosa. Aqui reside o maior mérito do anime, pois essa transformação é bastante massa veio, e é mais legal que as de Dragon Ball Super por exemplo.

A saga do Super Androide 17 tem apenas sete episódios. No inferno, O dr. Maki Gero encontra o Dr Myuu se unem, fato esse que não tem lógica alguma, se os vilões tivessem tais poderes no inferno, certamente Majin Boo, Cell e Freeza já teriam dominado o lugar, e coisas semelhantes só ocorreram nos fillers de DBZ.  Se em DBZ o erro mais grotesco era a demora para resolverem as lutas , aqui o enredo é curto demais e os eventos desimportantes, mais uma vez gastando seu tempo com  capangas minimamente carismáticos. Mesmo a fuga do inferno dos vilões antigos, que poderia ser bem explorado é sub aproveitado, e soa repetitivo, pois já tinha sido usado nos filmes. Depois que Super 17 perece, os heróis notam que as esferas do dragão estão rachadas, e isso dá vazão a mais uma nova saga.

Um novo dragão aparece, um azul, e é dito pelo narrador que ele é maligno e poderoso. Ele é a manifestação da sobrecarga das esferas, que foram muito utilizadas desde Dragon Ball Clássico, com pedidos fúteis. A ideia é até boa, mas a maioria dos dragões são fracos. O primeiro desafio de verdade só ocorre com o 4º, Chii Shenlong, que exige que Goku vire SSJ4, mas sua luta é curta demais. Somente com a fusão de dois deles (Suu e San Shenlong) que as batalhas se acirram, esse adversário sim dá algum trabalho aos heróis, ao ponto de Bulma fabricar uma máquina semelhante a que usou para evoluir Baby para ajudar Vegeta a atingir o nível SSJ4.

Próximo dos episódios finais, o seriado “lembra” o que fez Dragon Ball e DBZ  ser bem sucedido, primeiro apelando para a rivalidade de Goku e Vegeta e depois para a nostalgia de Goku, que lembra que a esfera de quatro estrelas foi dada a si por seu avô.  Li Shenlong   não é um inimigo a altura sequer de Majin Boo, se for comparado em conceito com Freeza ou Cell então é covardia.  Ele até então é o mais poderoso dos inimigos da saga Dragon Ball. GT careceu sempre de bons antagonistas, esse tampouco, poisnão se sustenta em sua execução porca mesmo com todo o poder que detém. DBZ não era só o escapismo e lutas, seus momentos bons continham discussões legais mesmo que se valessem das formulas de Mangás Shonen, e o roteiro de GT só acerta quando repete esses arquétipos, a sensação ao ver GT é que a Toei realmente não tinha boas ideias para executar e os poucos bons conceitos são sub aproveitados. Os fãs toleraram os arcos de Baby, Super 17 e dos Dragões Malignos unicamente por saudade dos personagens clássicos e por carência, e apesar de ter uma musica de abertura bonita, a realidade é que este seriado se resume a muita encheção de linguiça.

Ainda há um epilogo, que mostra as divindades “proibindo” a humanidade de usar as esferas, e apesar de boa a ideia, ela ignora algo importante, que é a participação dos Saiyajins. As dragon balls só eram reunidas com tanta frequência graças a ida de alienígenas poderosos a esse mundo, e mesmo sem essas esferas o legado deles continua, a raça não é extinta, como é mostrado com Pan e Goku Jr., em uma cena que tem um grande salto temporal , fato que gerou um especial, Dragon Ball GT O Legado do Heroi com as aventuras de Goku Jr. Dragon Ball GT termina assim, soando fraca até em seus tristes epílogos, embora para muitos fãs, tenha aspectos superiores a Dragon Ball Super, explicados basicamente por apego ao passado.

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