Review | Dragon Ball – Parte 2: A Organização Red Ribbon

A segunda parte do anime Dragon Ball começa imediatamente após o Torneio de Artes Marciais com Goku se despedindo de Yamcha, Bulma, Kuririnm Mestre Kame, Pual e Oolong, para buscar as esferas do dragão, basicamente para honrar o seu avô. Enquanto isso, Yamcha e os outros viajam de carro pelo deserto, Kuririn se vê isolado, já que Kame não o quer por perto, para basicamente poder ficar sozinho com Launch na sua ilha.

Nesse ínterim, o personagem indiano  Nam, que foi ao torneio basicamente para ganhar fama e conseguir dinheiro para comprar água para sua aldeia, vê seu infortúnio aumentar, já que a cápsula que ele recebeu de Jackie Chun (que era na verdade Kame) não é suficiente para um longo período. Mais uma vez seu caminho é cruzado por Goku, e o homem adulto consegue subir na nuvem voadora, fato quase inédito, segundo as palavras do protagonista. Apenas os dois conseguiram subir no artefato mágico, graças ao coração bom dos dois. Esses primeiros cinco episódios são de preenchimentos, não existem no mangá e esses fillers são bastante fracos.

Nesse princípio de nova fase se amarram várias pontas soltas, ou se introduz novos personagens. Pilaf, o chamado “marciano” retorna, Rei Cutelo e Chichi também são mencionados, até o Coronel Silver. Também há uma ilógica explicação de Kame a respeito das dragon balls. O velhinho não sabia do que se tratavam as esferas até entregar uma a Bulma ainda na fase 1, o arco de Goku, porque saberia disso? Além do mais, isso não é canônico, uma vez que não está no mangá de Akira Toriyama.

De qualquer forma, Goku acaba por encontrar a Red Ribbon, ajudando alguns aldeões, e uma série de lutas bem divertidas ocorrem, inclusive em sequência, em um prédio onde o rapaz sobe andares para se defrontar com adversários mais e mais fortes, ao estilo Jogo da Morte, filme inacabado de Bruce Lee. Toriyama dá mostras do que dentro da cultura pop o influenciou a construir o mito de Goku, colocando ali inimigos robóticos, como o Sargento Metálico, Ninja Púrpura, etc.

O traço do desenho é bastante caricato, ainda em comparações com as fases posteriores, como Dragon Ball Z. Mesmo os personagens grandes se parecem com monstros, com anatomias que fogem demais da realidade. O humor físico, que já havia sido bastante pontudo no Arco de Goku é intensificado nesta fase, e normalmente causam mais risos até do que as piadas ditas pelo menino protagonista e por seus amigos, cujas tiradas são meio bobas. Ainda assim, essa talvez seja a fase mais divertida do anime como um todo.

A proximidade de Goku de antigos adversários -marca que seria ainda mais forte e recorrente na fase Z – encontra o seu auge no convencimento que o herói faz junto ao Andróide Numero Oito, um robô que lembra o monstro de Frankenstein e que é chamado pelo protagonista de Oitinho (ou Oitavo em dublagens mais recentes), e que ali resume não só a facilidade que os guerreiros bons tem em cooptar seus inimigos para o seu lado da justiça, assim formando uma força tarefa de pessoas bondosas independente da origem dessas.

Se perde um tempo enorme mostrando Kame reduzindo seu tamanho, através de um aparelho que Bulma projetou para diminuir para o porte de um inseto. O sujeito utiliza isso para tentar assistir Bulma e Launch no banheiro, e normalmente fracassa na sua tentativa tarada de se aproveitar das meninas. Alem disso, é desenvolvido também o arco do General Blue, um sujeito vaidoso, que lembra muito o Misty de Lagarto que apareceu em Cavaleiros do Zodíaco – a Saga dos Cavaleiros de Prata, ainda que seja menos efeminado que esse. As semelhanças estão na futilidade e super valorização do estético, já que ele reprime ate seus capangas que estão acima do peso, como se isso denotasse qualquer falta de qualidade dos militares.

Depois de alguns momentos de tensão contra a facção Red Ribbon, Goku acaba parando na Vila do Pinguim, em um crossover de Dr. Slump que dura demais. Esses momentos servem para tentar apresentar ao espectador outras obras do autor, e soam meio desnecessárias em alguns momentos, e isso só muda quando Goku sobre a torre de Karin, o mestre marcial gato que preveria as condições de treinadores especiais como seriam Kami Sama e Senhor Kaioh. A tentativa de superar o felino é só mais uma das provas difíceis pelas quais Goku tem que passar e que seriam facilmente superadas na fase adulta.

Então, é apresentado talvez o melhor vilão até aqui, o assassino implacável Tao Paipai talvez o mostrando que Goku realmente tem dificuldades em vence-lo. Além de ser bastante divertido e engraçado o combate, é a luta mais emocionante e demorada, marca que seria ainda mais explorada na fase Z do anime/manga.

O curso da luta com a Red Ribbon continua, indo até a invasão da parte do herói a base da organização. Lá ocorrem fatos realmente surpreendentes, como um motim, provocado por Black, que assassina o comandante Red , por conta da postura imbecil do mesmo, que punha os vilões em perigo basicamente para desejar ser mais alto. Tal futilidade foi retribuída com um tiro na cabeça do tirano, mas seu sucessor Mister Black era tão vilanesco quanto o antigo mestre, e prossegue lutando com Goku, usando um robô controlado por dentro, como um exo-esqueleto.

Goku vai ficando cada vez mais poderoso, até Kame assume que ele pode te-lo superado. Com isso, Yamcha, Kuririn e Pual resolvem ir com Goku atrás da ultima esfera, e no caminho, o herói pega Upa, o índio que teve seu pai assassinado e que seria o alvo do desejo do pequeno protagonista. A partir daí, os aventureiros encontram Vovó Uranai, uma bruxa muito velha e misteriosa, irmã de Kame, que reúne alguns lutadores do outro mundo, entre eles, Son Gohan, que tem um momento de extrema emoção no reencontro com o personagem principal, sendo de certa forma, um prêmio a ele por ser tão altruísta, ao tentar buscar os artefatos mágicos para ressuscitar o pai de uma pessoa que ele mal conhece.

Master Roshi aceita treinar Yamcha, mas manda Goku fazer uma peregrinação a pé, a fim de que se aprimorasse física e espiritualmente. Obviamente que essa era uma desculpa para exibição de cinco episódios repletos de fillers, onde o rapaz se dedica a salvar camponeses e treinar seu rabo, que é seu ponto fraco. Mas em Um Monstro Horrível Chamado Javeleta, são introduzidos dois adversários que viriam a ser importantes, Tenshinran e Chaos, guerreiros misteriosos que seriam mais explorados na próxima fase e no ínicio de DBZ. Nesses cinco episódios, passam-se três anos de Goku treinando sozinho, para o próximo Torneio de Artes Marciais. O incrível é que mesmo passado tanto tempo, o protagonista não troca a roupa azul, que tomou para si de um dos capangas caninos de Pilaf. Ainda assim, o saldo para o arco da Red Ribbon é muito positivo, pois é um dos períodos mais divertidos do programa baseado na obra de Akira Toriyama.

Leia: Parte 1: O Arco de Goku | Parte 3: O Rei Demônio Piccolo Daimaoh.

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