Review | Gungrave

gungrave

Em 2002, a Red Entertainment lançou no Japão um shooter em 3ª pessoa intitulado Gungrave. O jogo fez razoável sucesso com os japas, tanto que ganhou uma continuação chamada Gungrave OD, também conhecida como Gungrave: Overdose e um anime homônimo ao primeiro título, que será objeto de análise neste post.

Vou abrir minhas impressões sobre a animação, dizendo que Gungrave é um anime Shonen com um ritmo muito peculiar. O ritmo da narrativa não pode ser comparado a nenhum outro anime mais famoso. É, entretanto, uma das melhores animações que já ví até agora.

Gungrave foi criado por Yasuhiro Nightow (Mesmo criador de Trigun e do roteiro do segundo jogo) e a animação ficou a cargo do estúdio Madhouse (que, dentre outros animes de muito sucesso, também deu vida aos personagens de Sakura Card Captors, Hunter X Hunter e Death Note). Divido em 26 episódios, o anime foi veiculado pela primeira vez em 2003 na TV Tokyo e em 2007 deu suas caras no Brasil através do Adult Swim no Cartoon Network (Quando o CN ainda era um canal voltado ao público jovem, e não a crianças de 8 anos… :[  ).

A história de Gungrave é centrada em dois personagens principais que, apesar de seu relacionamento quase fraternal, não poderiam ser mais diferentes. Os protagonistas são, claramente, o centro do enredo e durante os episódios você é levado a conhecer sua trajetória completa e a descobrir como as escolhas de cada um os levaram até o momento que vivem no início do anime.

Brandon Heat e Harry Mc’Dowell são dois jovens moradores de rua que batalham diariamente para manter-se vivos enquanto almejam padrões de vida mais elevados. Ambos são órfãos e, desde sempre, foram revoltados e brigões. Viviam envolvidos em lutas e no mundo do crime, cometendo pequenos delitos para sobreviver com seus amigos e levar comida ao PUB abandonado e caindo aos pedaços que habitavam. A forma que ambos encontraram de buscar estes objetivos, entretanto, é totalmente distinta.

Brandon é extremamente silencioso, mas muito bom de briga e corajoso. A violência que o cerca contrasta totalmente com seu olhar e atitudes bondosas, bem como sua paciência, seu jeito silencioso e sério.

Harry, parceiro de Brandon desde muito jovem, é totalmente o revés do amigo. Manipulador, brincalhão e barulhento, Harry é a personificação da ambição e da crueldade, não se importando em passar por cima de pessoas queridas ou planejar golpes bem arquitetados para se dar bem em detrimento de seus alvos.

Quando os dois amigos cruzam o caminho de uma organização mafiosa muito poderosa, Brandon e Harry tem uma reviravolta em suas vidas.

Aceitos na Millenium (uma espécie de sindicato do crime na região, com uma ampla área de atuação e controle de muitas entidades poderosas), Harry e Brandon vão galgando uma posição superior na organização, cada um a seu modo. Enquanto Brandon toma o violento caminho do grupo de assassinato, tornando-se o melhor atirador sob a guarda da Millenium, Harry ocupa um cargo mais gerencial, manipulando e eliminando possíveis concorrências e empecilhos em direção ao topo do sindicato.

Quando “Bloody” Harry alcança o cargo de líder da organização, os dois irmãos passam por um gigantesco conflito de interesses e passam a se considerar inimigos mortais. Após acontecimentos imprevistos para ambos, Brandon transforma-se em “Beyond the Grave” e declara guerra à Millenium. Tem início uma série de batalhas entre Grave e os soldados modificados geneticamente que ocupam as fileiras da Millenium de Bloddy Harry. Uma batalha urbana de consequências graves, em busca de uma resposta para a pergunta que motiva, desde o início, o anime: Até que ponto o poder e as ambições de uma pessoa podem influenciar seus laços da amizade?

O centro do anime é realmente a dupla Brandon e Harry. Todos os personagens secundários (interesses românticos, amigos antigos e novos) trabalham inteiramente para a construção dos dois. A prova maior disso é que praticamente nenhuma sequencia da animação fica sem um dos dois personagens presentes. Como resultado, o desenho apresenta uma história totalmente crível e o desenvolvimento dos personagens é tão profundo que você passa a se relacionar com eles de tal forma, que tudo o que acontece com Brandon e Harry é sentido por você também.

Como já citei, o ritmo do anime é mais lento do que o de um shonen típico que você vê por aí. Na minha opinião, para ser sincero, Gungrave não deveria se enquadrar como shonen, e sim como seinen. A construção da história e o drama vivido pelos personagens tem muito mais importância do que qualquer sequência “massa véi” que possa aparecer (e elas aparecem bastante, até…).

A animação da Madhouse é inacreditável, como sempre. As sequências de ação são caprichadas e bem compreensíveis. A trilha sonora do desenho é boa e as cores aplicadas ajudam bastante a compreender a pegada do anime, dede o começo. Não é uma estória alegre e com piadinhas abobadas que normalmente dão as caras em animes mais mainstream (por aqui, nada de gotas gigantes, X no lugar dos olhos ou personagens que ficam pequenininhos ou gigantes). A animação é séria e conta uma estória muito interessante e imersiva.

Com personagens principais excelentemente construídos, inacreditavelmente cativantes, e sequencias de tiroteios e perseguições muito bem feitas, Gungrave merece uma visita de todos os que gostam do gênero e procuram uma estória que, apesar de utilizar vários elementos de ficção científica, conta muito sobre relacionamentos e sobre amizade.

A sequencia final é tão fodástica, e você está tão ligado aos personagens, que mesmo eu chorei como um ninja silencioso… 🙂

Assistam!

Texto de autoria de Nicholas Aoshi.