Review | Homem-Aranha: Ação Sem Limites

Em 1999, após o término do desenho “clássico” do Homem-Aranha iniciado em 1994 e terminado um ano antes deste começar, surgia Homem-Aranha: Ação Sem Limites, um programa que muitos achavam que era continuação da outra versão mas que na verdade guardava poucas ou nenhuma semelhança com a encarnação anterior. Dessa vez o seriado era produzido por Avi Arad e Eric S. Rollman.

A história dos treze episódios gira em torno da descoberta de um novo planeta, feita pelo coronel John Jameson, filho de J. Jonah Jameson, chamado Contra Terra. No meio da cobertura de imprensa do anúncio desta descoberta, Peter Parker observa Venom e Carnificina subindo no ônibus espacial de John, e ao tentar impedi-los é jogado para fora da nave. Já no começo, e ainda com uniforme clássico, se percebe que o predomínio visual do programa é de cores mais escuras.

Depois de encomendar um novo uniforme com o Senhor Fantástico, que reúne milhões de robôs microscópicos, para criar defesas contra os simbiontes, o herói acaba indo para a contra-terra acidentalmente, e lá a maior parte dos humanoides tem características animais. A chance de explorar uma historia mais clássica, com o herói utilizando um uniforme totalmente novo é desperdiçada, para basicamente colocar Parker em mil desventuras, onde serve de figura paterna para um garoto órfão cuja mãe é bonita – e que quase vira seu par apesar de Peter ser casado com Mary Jane – além de ter de lidar com versões estranhas de personagens clássicos.

Os bestiais mostrados aqui tem ligação com um ser chamado Alto Evolucionário, e de certa forma escravizam e oprimem as pessoas comuns. John Jameson virou líder da resistência humana, mas a realidade é que mesmo entre os bestiais há quem não seja cruel, e o seriado ao invés de explorar essa dualidade, opta por tramas bobas e péssimas cenas de lutas.

O programa foi um pouco popular no Brasil, mas não tanto quando a série animada completamente ignorada nesta versão e muito se fala que ela foi descontinuada graças a negociação da Marvel com a Sony para executar o Homem-Aranha de Sam Raimi no cinema, que também teria Arad como seu produtor, mas a realidade é que essa animação conseguia ser ainda menos memorável que a outra.

Haviam bons momentos do desenho, o design dos personagens era mais bonito, os humanoides eram mais esguios e até o uso de computação gráfica era mais acertado, mas o roteiro conseguia ser muito pior até que Homem-Aranha e Seus Amigos, o programa que tinha o cabeça de teia, Flama e Homem de Gelo vivendo juntos. Muito se fala que esse poderia ser uma versão animada do Homem-Aranha 2099, que tinha certa popularidade desde sua criação, mas fora a questão do ambiente pseudo futurista, não há muitas semelhanças com Miguel O’Hara, especialmente no que tange as referencias ao cyber punk e distopias.

Homem-Aranha: Ação Sem Limites tinha tudo para ser algo grandioso, bem elaborado e cheio de carisma, tinha o personagem heroico em alta e apelava para tudo que fazia sucesso na época, em especial os simbiontes – que aqui eram chamados sinóticos – mas pagou o preço por se basear demais no visual e caráter típico da Image Comics, com uma animação carregada de ação e sem nenhum subtexto mínimo, sem sequer estabelecer alguma ligação emocional dos personagens secundários com o espectador. Para fazer algo tão diferente era preciso tempo, mas esta não conseguiu convencer os produtores a renovarem o programa, muito por conta da popularidade de animes da época como Pokémon e Digimon, ainda assim, poderiam ter feito ao menos uma mini temporada para saciar a curiosidade do público, e que poderia ou não envolver um crossover com o Peter Parker de Homem Aranha de 1994, que infelizmente jamais ocorreu, certamente isso daria um novo sentido a esta versão.

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