Review | Kakegurui – 1ª Temporada

Os animes e mangás possuem uma habilidade ímpar de retratar personagens e situações exageradamente insanas. Aqui não é diferente. Kakegurui pode ser definido em caos, loucura, sadismo e obsessão extremas. Mas tudo isso no contexto de jogos e apostas.

O cenário é quase uma distopia, onde uma escola é “dominada” pelo grêmio estudantil que reformulou todo o sistema do lugar. Os alunos crescem e são reconhecidos por meio de apostas, e não por suas notas. Aliás, a parte estudantil propriamente dita é deixada de lado completamente, mantendo o foco nas apostas. Criou-se uma espécie de sistema de castas, onde os maiores devedores se tornam “animais”. Um trote universitário levado às últimas consequências. Extremismo é o nome deste anime.

Baseado no mangá de Homura Kawamoto e Toru Naomura, originalmente publicado pela Square Enix (sim, aquela mesma empresa detentora dos jogos Final Fantasy e Dragon Quest), a primeira temporada do anime foi produzida pelo estúdio MAPPA e posteriormente licenciado pela Netflix.

A história gira em torno de uma nova aluna da escola, Yumeko Jabami. Em pouco tempo, ela se mostra uma exímia apostadora, e mais do que isso, uma verdadeira jogadora compulsiva. É aqui que toda a loucura começa.

Yumeko não é uma simples viciada. Ela é obsessiva ao extremo, daquele jeito que só os animes e mangás conseguem mostrar. Sua compulsão é uma mistura de vício, sadismo e prazer sexual, não medindo consequências ao correr riscos.

No início do anime ocorrem apostas de valores relativamente altos. Ao longo dos episódios, a proporção cresce de maneira insana, e o risco dos jogos é algo surreal. É claro que Yumeko não é a única maluca da história. Diversos personagens, especialmente alguns integrantes do grêmio estudantil, fazem frente à moça.

Diversos elementos visuais são utilizados de maneira exagerada e funcional. O uniforme dos alunos são predominantemente vermelhos, o que intensifica ainda mais as emoções e ações insanas, denotando uma espécie de paixão pelo jogo, um sentimento beirando à depravação. Yumeko, além dos longos cabelos pretos que são facilmente associados àquelas personagens clássicas do terror japonês (sendo que ela é visto como um monstro por vários “inimigos”), ganha olhos vermelhos quando sua excitação pelo risco das apostas cresce, causando um êxtase quase sexual e, claro, remetendo às possessões demoníacas. A constante presença da cor vermelha, aliada aos detalhes pretos do uniforme, nos fazem pensar o tempo todo nas cores dos naipes do baralho ou ainda dos números nas roletas de apostas. E como se não bastasse, tanto os desenhos quanto a qualidade de animação são fantásticos. A trilha sonora ajuda bastante na atmosfera, com elementos de jazz.

Talvez o ponto mais representativo da loucura dos personagens seja as expressões faciais. O estilo de desenho dos olhos e da boca mudam para algo mais detalhado/realista e dá uma identidade visual muito interessante. Você sente a insanidade transbordando, e é tão absurdo, tão exagerado que dá vontade de rir, e isso é maravilhoso. Você não espera algo próximo do real. Você se torna um espectador daquele coliseu de apostas onde pessoas literalmente podem acabar com suas vidas em uma única rodada. É óbvio que existirá muita trapaça e estratégia, deduções mirabolantes, embora críveis, e situações extremas que somente um anime/mangá consegue nos proporcionar. Assistir Kakegurui é quase um sadismo. Somos espectadores da desgraça alheia. Queremos ver o circo pegar fogo, testemunhar até onde aquelas pessoas são capazes de apostar. Quem não gosta desses exageros nipônicos provavelmente vai detestar, mas eu apostaria 700 mil ienes que você assistiria até o fim por simples perversão.

Acompanhe-nos pelo Twitter e Instagram, curta a fanpage Vortex Cultural no Facebook, e participe das discussões no nosso grupo no Facebook.