Review | Sherlock S04 E02 – The Lying Detective

Como em Study in a Pink, John (Martin Freeman) também começa o capitulo em uma sessão de terapia, motivadas pelos traumas das ocorrências ao final de The Six Thatchers com a morte de Mary (Amanda Abbington). A dupla de heróis é afetada fortemente pela perda recente, com o doutor caindo em depressão e o detetive se culpando pela situação ocorrida, apesar de sua postura não ser a assumidamente de culpa ou responsabilidade pela morte que malfadou o grupo na abertura da temporada.

John tem conversas frequentes com um fantasma, fato que permite não só o retorno da atuação de Abbington, como o acréscimo da nova terapeuta, vivida por Sian Brooke, que seria mais um olhar feminino sobre a psique do recém viúvo. Esse talvez seja o único momento de incontestável boa construção de dramaturgia desse quarto ano, especialmente se comparado a conclusão final que recai sobre esta que pode ter sido a última temporada das aventuras do Detetive.

O acréscimo do personagem Culverton Smith (Toby Jones) começa de modo misterioso, com ele apresentando uma trama que mescla showbusiness com teoria da conspiração, em sequências de ação que fazem lembrar demais as distopias clássicas, em especial 1984 de George Orwell, com alguns elementos de produtos mais recentes, entre eles o quadrinho de Alan Moore V de Vingança e o filme Réquiem Para um Sonho, no sentido de brincar com os sentimentos dos personagens, no caso, Sherlock (Benedict Cumberbatch), que após tomar consciência de seu novo adversário, passa a agir como um sujeito ensandecido, com a mente em frangalhos, como visto no livro não canônico Solução a Sete Porcento, de Nicholas Meyer onde Holmes tem uma crise de abstinência de cocaína, e se consulta com Sigmund Freud. Os paralelos com o livro são registradas por meio de alegorias inteligentes e sagazes.

A sensação vista no primeiro episódio da temporada se repete aqui, já que ele em alguns momentos parece ser um preambulo para acontecimentos maiores no season finale. O paradigma de ser um objeto do meio denigre um pouco a qualidade do capítulo em si, mas não o joga na mesma vala de Six Thatchers, basicamente por todo o plot vilanesco soar natural e condizente com tudo o que foi visto anteriormente dentro do programa.

O diretor Nick Hurran consegue junto a Toby Jones contar uma historia sobre conspiração, paranoia e hipocrisia, através de um antagonista que tem carisma, além de uma capacidade de causar mal praticamente infinita. Os momentos delírio de Sherlock fazem relembrar o quão frágil é a saúde mental do herói, além de resgatar a interdependência entre Watson e Holmes, estabelecendo um novo começo para ambos, além de aludir a uma ilusão compartilhada dos dois, quando se trata do fantasma de Mary. Esse conserto faz pôr novamente nos trilhos a trama de Sherlock, mas ainda havia de se explorar mais um momento, em The Final Problem.