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Review | The Avengers: United They Stand

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Em 1999, muito antes da iniciativa de Kevin Feige e companhia que resultariam em Os Vingadores de Joss Wheddon ,antes até Vingadores: Os Super Heróis Mais Poderosos da Terra houve uma animação seriada de apenas 13 episódios, chamada no Brasil de Vingadores: A Série, no original The Avengers: United They Stand, era distribuída pela Sabam, a mesma que empresa que produzia Mighty Morphin Power Rangers pelo mundo, e isso explica o fato de vários personagens usarem armaduras e mudarem de tamanho, como é típico nos Super Sentai que produziam as cenas originais de MMPR.

A narrativa se inicia com Ultron, o vilão robótico, criando Visão, uma alternativa mecânica de vingança ao seu criador o doutor Henry Pym, o Homem Formiga líder do grupo de heróis. Já nesse inicio ele é mostrado como um sujeito inseguro com a posição de liderança, uma vez que essa era uma formação dos Vingadores da Costa Oeste (a série chegou a ser exibida no Brasil com esse nome também), composta por Vespa, Gavião Arqueiro, Magnum e Feiticeira Escarlate, entrando depois Visão e Falcão.

A trinca Thor, Homem de Ferro e Capitão América é meramente citada, como fundadores da reunião de vigilantes. É lamentável que a adaptação do grupo (que nem era tão popular na época) sem os medalhões. Isso é até abordado no roteiro, com a Vespa falando que Hank é tão importante quanto eles, e isso até é verdade parcialmente, mas fato é que sozinho, ele não segura uma série. Os outros heróis são ainda menos populares, alguns seguem sem serem tão conhecidos até hoje, o motivo para essa escolha de elenco foi por conta da quase falência da Editora no final dos anos 90, quando venderam os direitos dos personagens para estúdios de cinema, só recuperados e bem aos poucos ao longo da década de 2000, portanto, venda de material de merchandising não iriam em totalidade para a Marvel, por isso Hulk, Capitão e cia deveriam aperecer esporadicamente.

A série é repleta de momentos sentimentais, e seus personagens são pouco melhor desenvolvido que nas séries anteriores da editora. Os heróis tem fragilidades que o tornam bem humanos, mas isso não faz tanta diferença, já que a maioria deles mal tem poderes, exceção a Wanda. Os vilões por sua vez são bastante maniqueístas, Ultron, é o que mais aparece, e ele carrega uma mensagem incomoda de Complexo de Frankenstein, seu embate psicológico com Pym, seu criador contém um diálogo terrivelmente mal escrito, que evoca obviedades envolvendo a possível perfeição do vilão, que obviamente, não existe.

A serie deixa algumas questões mal resolvidas, como a interferência do presidente na formação do grupo, ou a rápida aceitação de Visão entre os mocinhos a despeito do sumiço de Magnum. Ao menos há alguns sub textos que são sugeridos e que tem potencial, como a intimidade de Sam Wilson como homem preto que tem problemas reais e ligados a cor de sua pele. Por trás da produção estava Ron Myrick na direção, com produção executiva de Avi Arad, Stan Lee e Eric S. Rollman.  A serie foi cancelada com apenas uma temporada e boa parte do insucesso foi apostar em dinâmicas sentimentais e amorosas de personagens pouco conhecidos. Não há muito como se importar com um triangulo amoroso entre Wanda, Simon/Magnum e Visão, afinal, nenhum deles é super conhecido, e não é feito sequer uma introdução mais profunda dos dois primeiros personagens.

Para o público se importar, ou o texto trabalha esses enlaces, ou se baseia em algo já lugar comum e nenhuma das alternativas é feita, talvez em eventuais episódios de uma nova temporada isso fosse exposto. A fala de Vespa no primeiro capítulo sobre a importância do Formiga se torna profética, mas no sentido inverso. É difícil não encarar Pym como um sujeito tolido por motivos comerciais, e essa versão dos Vingadores trazida como se fossem de fato os maiores heróis reunidos do universo (Marvel) é risível, e nem sequer os roteiros compensam essa sensação de fracasso. Nem as breves aparições de heróis  grandes resgata o programa da mediocridade, em  Os Vingadores: A Série não seha tão execrável quanto a maioria das pessoas afirma atualmente, sendo até superior visualmente a outras animações como X-Men e Homem-Aranha, e além disso termina com um gancho para segunda temporada, envolvendo os novos poderes e composição de Magnum e obviamente novas aventuras dos heróis protetores de Manhattan e que não terão um desfecho.

Filipe Pereira

Filipe Augusto Pereira é Jornalista, Escritor, quer salvar o mundo, desde que não demore muito e é apaixonado por Cinema, Literatura, Mulheres Rock and Roll e Psicanalise, não necessariamente nessa ordem.
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