Review | The Mandalorian – Chapter One

Havia muita expectativa em relação a série que Jon Favreau organizava no universo Star Wars, e já no piloto da primeira série live action derivada Guerra nas Estrelas, The Mandalorian não demora a mostrar ação, mirando as ações do personagem-titulo – interpretado por Pedro Pascal mas que não tem sua identidade e origem desenhadas em um planeta de neve, com ele entrando em uma cantina que faz lembrar demais a Mos Eisley de Tatooine, em uma dosagem bem interessante de referencias e fan service.

O piloto, chamado Chapter One é dirigido por Dave Filoni, o cowboy, produtor e showrunner de outros derivados da saga de George Lucas, em um sucesso indiscutível em Clone Wars, Rebels, um início promissor com Resistance e um enorme conhecimento sobre o antigo universo expandido (chamado de Legends) e o novo canônico. De destaque positivo e fora trama, há uma vinheta bem legal, que faz a luz passar por capacetes ou carapaças de personagens clássicos, um agrado aos fãs que não soa ofensivo para quem não é exatamente aficionado pela franquia.

Os mandalorianos tem detalhes de seus posicionamentos nas mesmas animações  que Filoni conduziu, e em alguns livros e historias em quadrinhos antigas. Os personagens mais conhecidos entre eles curiosamente são dois não membros da “raça” os caçadores de recompensa Jango e Boba Fett. Os métodos do mandaloriano misterioso não são tão diferentes dos dois personagens citados, com a diferença de que ele realmente tem presença e é certeiro demais, ao contrário do jeito atabalhoado que ambos pereceram, em Ataque dos Clones e O Retorno de Jedi respectivamente. O povo de Mandalore é conhecido por ser pacifico, exceto alguns membros da elite, entre eles os que usam as tais armaduras cromadas, e os tempos pós queda imperial talvez expliquem o modo de agir do personagem de Pascal.

A ação do episódio é curiosa, pois é violenta, como se espera de um caçador de recompensas que vai atrás de seu alvo, e as brigas são francas, secas e se valem de uma anti artificialidade atroz. A mistura de figuras digitais e reais é bem encaixada, assim como o uso de efeitos digitais e práticos. A textura dos personagens é muito real, fato que facilita que os combates pareçam realistas.

Não há  um grande desenrolar do panorama político da galáxia pós queda do Império, que é onde o seriado se coloca cronologicamente, mas observando bem se percebe que boa parte dos métodos mudaram. O mandaloriano ao capturar seus alvos, os congela em carbonita, e há de se lembrar que quando Han Solo é preso em O Império Contra Ataca, o foi para que testassem antes de prender ali Luke Skywalker, ou seja, das duas  uma, ou ele assume riscos de maneira até um pouco irresponsável, ou essa prática se popularizou na galáxia muito distante.

Também se nota que há resquícios de mandatários imperiais, que envolvem pessoas do elenco bem famosas, como Werner Herzog, que faz o Cliente (ele é chamado somente dessa forma). Sua participação ainda é pequena, mas ele parece ser um sujeito imponente, poderoso e cruel, um vilão clássico mas que dá margem para mais nuances.

As outras participações, de Greef Carga (Carl Weathers) e IG-11 (Taika Waititi) são mais extensas dão mais margens para ou teorizar ou para protagonizar mais ação (caso do segundo, que aliás, impressiona no modo de mostrar a movimentação de um droide de ataque IG, que antes, só andava nos filmes, e só foi mostrado de fato atirando nas animações. Uma pena que boa parte desses momentos cruciais tenha sido mostrado nos materiais de divulgação. Já Carga não tem todo seus segredos revelados, mas parece ser um sujeito de grande importância, possivelmente ligado a um dos lados antagônicos da antiga guerra entre rebeldes e imperiais, e não só um sujeito neutro como normalmente são os bounty hunters.

The Mandalorian – Chapter One é curto, tem 38 minutos e a exibição dos outros episódios serão feitos em momentos da semana bem diferentes. A abordagem dramática impressiona por ser direta, revelando muita coisa, mas deixando muitos mistérios para serem desenvolvidos e desenrolados em momentos a frente, inclusive com uma piscada para o público bem legal. Não há apelo para muitas obviedades, mesmo que ainda tenha alguns clichês empregados, e é visualmente deslumbrante em cenários e nas interações entre os bonecos digitais, os fantasiados e personagens meramente humanos.

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