Review | The Mandalorian – Chapter Two: The Child

Após um início um pouco protocolar em The Mandalorian- Chapter One com Dave Filoni na direção, The Mandalorian retorna alguns poucos dias após seu primeiro capítulo, dessa vez comandado por Rick Famuyiwa, do recente Dope: Um Deslize Perigoso, o episódio parece ter mais personalidade, investe mais no humor e na graça, além de fazer o silêncio prevalecer, algo que não parece incomodo para o mandaloriano caçador de recompensas.

Imagino que quem está lendo esse texto viu o primeiro capítulo, então é natural que se fala de partes importantes da trama. Boa parte dos que assistiram o episódio passaram a crer que a criança encontrada poderia ser um clone do Mestre Yoda, ou o próprio pequeno, embora não haja qualquer indício disso, já que ele morreu em O Retorno de Jedi, e reapareceu como espírito da força em Os Último Jedi, e até onde se sabe, não há ressurreição no universo Star Wars. Até se brinca com a possibilidade do mesmo ter poderes, já que ele sai da cápsula babá e interage apontando para o personagem de Pedro Pascal, mas os mistérios em seu entorno não são apressados em se resolverem.

Famuyiwa usa e abusa do personagem novo. Mesmo sem utilidade o filhote acaba roubando a cena, por sua personalidade carismática e fofura. Toda a tentativa do personagem central em perseguir uma tribo de Jawas impressiona, não só pelo arrojo visual, que emula bem demais o início de Uma Nova Esperança. Os figurinos, os veículos, tudo é muito bonito para uma adaptação televisiva, e a armadura de Beskar realmente chama a atenção, já que está sempre em evidencia.

Há todo um caráter diferenciado nos episódios, aparentemente não há tanta preocupação em mostrar uma historia épica, e sim side historys do universo de Star Wars, momentos simples e ordinários, a riqueza está nele tendo que lidar como uma babá, ou recuperando artefatos para os jawas (em uma luta épica, diga-se) ou tendo que conviver com  Kuiil (Kyle Pacek como dublê de corpo e Nick Nolte com voz e expressão) o ugnaught sentiano que o chama de Mando e que serve como guia para ele no planeta desconhecido.

A Disney continua sem resolver a problemática de o seriado não ser vinculado em países como o Brasil, que ainda não tem seu serviço de streaming (programado para chegar no segundo semestre de 2020 ao que tudo indica) e mesmo a possibilidade de outro serviço  adotar as séries e filmes só deverá acontecer para o final do ano o início do próximo, desse modo, não há garantia de que haverá como assistir os mesmos sem lançar mão de downloads.

Enquanto isso a trama que Jon Favreau propõe tem um lento desenrolar, fato que torna tudo muito dúbio, pois ao mesmo tempo que não apresenta nada fora do ordinário, também ganha exatamente pelo predomínio do ocaso, fazendo todo o rico universo de Star Wars ter importância, fugindo da velha obsessão herdada de George Lucas de explorar os detalhes dos Skywalkers. Caso seja realmente a vontade de The Mandalorian só mostrar historias de personagens e raças alternativas, não há grandes problemas, ainda que os mistérios e sementes plantadas apontem para uma maior grandeza.

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