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Review | Tower of God – 1ª Temporada

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O Crunchyroll, serviço de streaming focado em animações japonesas que distribui mundo afora semanalmente One Piece, Boruto e os demais animes transmitidos por temporada na terra do sol nascente, começou a produzir suas próprias séries. Um dos grandes destaques do seu selo original é a adaptação de Tower of God, web comic sul coreana do autor SIU de grande sucesso. O anime foca em Vigésima Quinta Bam, um garoto solitário que quer encontrar sua amiga Rachel, única pessoa que ele conhece, na misteriosa Torre de Deus, um lugar cultuado por dar tudo que é desejado a quem alcança o topo dela.

Bam acaba entrando na Torre por si só, demonstrando ser um irregular, alguém que entra no local por vontade própria, diferente dos regulares que são convidados. Headon, uma criatura que se apresenta como senhor da Torre, propõe o primeiro teste a Bam, para começar a subir para os próximos níveis, onde o jovem encontra Yuri, uma das princesas da Jahad. O protagonista consegue uma arma lendária com a princesa e posteriormente cai no meio de um battle royale com vários outros indivíduos. Tower of God então demonstra um aspecto similar a um RPG, um universo que tem uma intenção de ser grandioso. A separação das especialidades dos personagens em classes e todo conceito que envolve o shinsu, a energia usada pelos seres desse universo, também deixam a caracterização mais interessante, sendo o atrativo maior do anime.

Bam é jogado nesse novo mundo e é tentado de alguma forma fazer com que o telespectador acompanhe a evolução da história junto ao protagonista. Bam vai tentando se adaptar às provas da Torre e conhecendo seus aliados propícios, como o astuto Khun Aguero Agnes (uma homenagem do autor ao futebolista argentino Kun Agüero do Manchester City) e o réptil antropomorfizado grandalhão Rak Wraithraiser, sendo o trio principal durante o decorrer da história.

O trio entre si funciona bem, Bam sendo a alma inocente, Khun age como o grande cabeça da equipe, com um fundo interessante, só que pouco explorado. Khun se identifica com Bam pela semelhança da sua causa, devido à relação com a sua irmã e a rejeição da família que ele carrega consigo. Rak acaba somente sendo usado como alívio cômico. Porém deixa a desejar bastante na construção do protagonista e dos laços com os personagens secundários. Bam começa vazio e termina mais vazio ainda, sem conseguir expressar sua verdadeira intenção na obra. Seu carinho pela Rachel é a única interação e motivação colocada ali, de resto, não há diálogo nem conteúdo que justifique sua bondade posta, mesmo os demais personagens tendo personalidade, mas nada que seja orgânico. O protagonista é colocado como alguém adorável e que faz tudo pelos seus próximos, mas nada que ele faça, confirma do porquê dele ser bom. Além de cair no clichê de ter uma progressão exponencial diante os demais, o protagonismo barato comum em qualquer anime de luta.

O arco fora do trio protagonista é bem mais convincente e melhor construído. A parte de Anaak e Endorsi, princesas de Jahad apresentadas posteriormente, é inicialmente um mistério, pelo fato delas serem poderosas e da relação delas com o domínio da Torre. Isso leva para toda a motivação de Anaak agir contra tudo relacionado à Torre e de como Endorsi se vê ligada a ela em relação ao seu segredo. Uma história de poder e riqueza construídos pelos senhores da Torre dados por meio de opressão.

A ação é bem feita, principalmente pelo uso do shinsu, de toda forma que é animada e do aporte que certos personagens dão, como as estratégias de Khun e das provas colocadas pelos rankers, pessoas que chegaram mais alto na Torre, mas nada que encha os olhos e seja marcante. Tower of God é apático, desinteressante, com várias tramas colocadas como importantes, mas pouco exploradas e acaba tendo um final problemático, com uma reviravolta que tenta justificar as ações de certos personagens, mas só coloca dúvidas no desenvolvimento da narrativa, quebrando todo o clima da possível continuação. Os 13 episódios disponíveis no Crunchyroll parecem ser corridos e imediatistas, numa tentativa falha de sucesso, contrariando toda a expectativa de um dos animes mais aguardados de 2020.

Texto de autoria de Wedson Correia.

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