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Imagem e Música: A Magia da Narrativa no Cinema

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Psicose-Hitchcock

Se é verdade que uma imagem diz mais que mil palavras (embora isto não seja aplicável a todos os contextos), o que diríamos da imagem que ativa outras sensações através da música que a acompanha, descrevendo sua expressão mais subjetiva?

Mesmo quando as palavras quase se ausentavam na época do cinema mudo, porque os cenários e as expressões corporais e faciais falavam por si, a música estava lá, nos acordes do piano ou de pequenas orquestras, imprimindo à cena climas e contextos emocionais.

No cinema, a imagem e a música constituem uma parceria indissociável, pois funcionam como elementos chave para a riqueza da narrativa.

Temos que concordar que a sequência da caça ao tubarão, no filme com o mesmo nome, apesar da brilhante direção de Steven Spielberg, não teria o mesmo impacto sem a trilha sonora de John Williams. O mesmo poderemos pensar da tensão impregnada pela música de Bernard Herrmann, na cena do chuveiro em Psicose, obra-prima de Alfred Hitchcock.

Os exemplos são incontáveis e, para exemplificar a diferença que faz não só a presença de um fundo musical, como a sua adequação ao que se quer provocar no espectador, encontrei um vídeo que demonstra isso muito bem:

Assim, selecionei algumas músicas-tema instrumentais!

Devo esclarecer que meu parâmetro de seleção não está condicionado a premiações, ou a avaliações de crítica e de público. Trata-se apenas de uma preferência pessoal (com a possibilidade de esquecer alguns que deveriam estar nesta lista), e a ordem em que as cito é totalmente aleatória.

Espero ter acertado e, desta forma, levar você a um passeio por incríveis melodias e arranjos, em parceria com as cenas dos filmes, numa perfeita harmonia narrativa!

Sara (Ellen Burstyn), Harry (Jared Leto), Marion (Jennifer Connelly) e Tyrone (Marlon Wayans) idealizam um mundo no qual mergulham nos mais diversos vícios e acabam destruídos pelos mesmos, acorrentados aos seus próprios delírios. O diretor Darren Aronofsky usa uma enorme quantidade de cortes e repetição de cenas como linguagem fortalecedora do contexto, e a trilha de Clint Mansell (que trabalhou com Aronofsky em Pi, Fonte da Vida, O Lutador e Cisne Negro) cai como uma luva. Neste caso, eu refiro-me ao filme Réquiem Para um Sonho e à brilhante música Lux Aeterna.

Agora vamos a Rocky Balboa, ou Rocky VI, escrito, dirigido e protagonizado por Sylvester Stalone!

Você deve estar se preparando para ouvir a canção Eye of Tiger, composta por Diane Warren, pois ela se tornou realmente marca do filme. Mas eu escolhi a intensa Gonna Fly Now, composta por Bill Conti (responsável pela trilha sonora).

Como esquecer a fantástica composição de Henry Mancini para A Pantera Cor-de-Rosa? Esta comédia, dirigida por Blake Edwards, onde o inspetor Jacques Clouseau caça o ladrão que planeja roubar o famoso diamante que dá nome ao título, acabou inspirando outras histórias com o inspetor, e a música-tema mostrou-se tão forte que ela e a animação dos créditos iniciais continuaram sendo adotadas.

Antes mesmo das cenas fantásticas, quando ainda rolam os créditos iniciais, a contagiante composição de Harold Faltermeyer e Steve Stevens, Top Gun Anthem, já nos envolve no clima que permeia a história. Há uma melodia que acompanha o aveludado dos aviões rasgando o ar, ao mesmo tempo que é pontilhada por acordes densos sobre a tensão dos pilotos.

Top Gun - Ases Indomáveis, dirigido por Tony Scott e estrelado por Tom Cruise, é, com certeza, um presente para os olhos e para os ouvidos! (Não resisto a indicar também a performance na guitarra de Van Halen).

As trilhas de Vangelis são memoráveis! Claro que aquela de que nos lembramos imediatamente é a que ilustra a belíssima cena de Carruagens de Fogo, mas optei pelos acordes marcantes e o magnífico coral de Conquiest of Paradise, música tema de 1492 - A Conquista do Paraíso, filme que relata a descoberta do Novo Mundo por Cristovão Colombo (Gérard Depardieu), com direção de Ridley Scott.

Tim Burton é um diretor que escancara sua preferência por certas "parcerias", como se pode observar na quantidade de películas em que recorre à atuação de Johnny Depp e Helena Bonham Carter. No entanto, mais do que o desempenho destes dois atores, contamos com a mão de Danny Elfman em suas trilhas sonoras. Em Edward Mãos de Tesoura, temos a bela direção de arte (Tom Doffield) ambientando a despedida entre Kim (Winona Rider) e Edward (Johnny Depp) ao som da música-tema, que nos traz a tristeza de um adeus esculpida na límpida transparência do gelo.

No início falamos da trilha de Tubarão, genialmente composta por John Williams, e seria impossível não escolher um dos temas do premiadíssimo compositor. As opções são muitas, então selecionei um vídeo durante o qual você pode até fechar os olhos, que saberá imediatamente de que filme se trata, além de se sentir levado pela inesquecível melodia, para outro mundo, outra galáxia.

Claro que estou falando da música tema de Star Wars Episódio IV: Uma Nova Esperança, dirigido por George Lucas.

No Oscar de 2015, Alexandre Desplat teve duas indicações ao prêmio de Melhor Trilha Sonora Original, e acabou vencendo com O Grande Hotel Budapeste (a outra indicação foi ao trabalho de O Jogo da Imitação). Mas entre suas fantásticas realizações, há uma (que também foi indicada) que me tocou especialmente pela sua abordagem minimalista, pela forma como se estabelece entre a música e o protagonista um diálogo crescente, numa cumplicidade que o acompanha em sua jornada de libertação da fala. Em O Discurso do Rei, dirigido por Tom Hoper, a música demonstra um profundo respeito pela forma como Jorge VI (Colin Firth) atravessa o silêncio.

Dá para conceber o cinema sem música? Sem o sensível, e meticulosamente elaborado trabalho, daqueles que têm a responsabilidade de enfatizar a narrativa?

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Texto de autoria de Cristina Ribeiro.

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