Cinema

[Crítica] Boneco do Mal

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Protagonizado pela renomada figura de Laura Cohan, que faz a Maggie Grind de The Waking Dead, o longa de William Bren Bell,  Boneco do Mal, resgata um temor antigo, focado nas figuras inanimadas de brinquedos malditos, em um filão que compreende A Boneca do Diabo de Tod Browning, Brinquedo Assassino e o recente spin-off de Invocação do Mal, Annabelle.

Greta Evans (Cohan) se muda para uma casa antiga a fim de trabalhar como cuidadora de uma criança. Ao chegar à casa isolada dessa família britânica, a moça já leva um falso susto, sem ter sequer o apoio de uma trilha sonora misteriosa. O desígnio de Greta envolve o menino Brahms, único descendente dos Heelshire, que por sua vez jamais teve uma babá americana. O mais pitoresco é que a família do rapaz o trata como um ser comum, mesmo o moço sendo um boneco.

Os componentes humanos da casa de campo são a senhora Heelshire, vivida pela veterana Diana Hardcastle, e seu esposo senhor Heelshire, interpretado por Jim Norton. A dupla serviria de base moral para a história, já que o passado dos dois atores é bastante prolífico. Apesar das negativas em relação à identidade do menino, os familiares assumem que ele não é propriamente normal, e provam que há uma presença na casa acompanhando-os, como em inúmeros filmes clichês recentes.

Greta esconde um passado de abusos, o que faz dela a perfeita mulher solteira procura, outro arquétipo típico de filmes de horror em especial na década retrasada. Surge então um montante enorme de momentos genéricos e convenientes, com ligações da moça com sua terra nativa, onde as violências que a menina sofreu com seu antigo amante são contextualizadas. Tal situação poderia ser melhor explorada, caso o a intenção do roteiro fosse a seriedade, mas a questão está apenas como enfeite.

Bell já havia dado à luz a outro filme polêmico: Filha do Mal. A opção desta vez é por um terror mais grotesco e injustificado, que tem por base um humor involuntário bastante curioso. O medo que Greta tem na figura de porcelana não se justifica de modo algum, já que a criatura pseudo sobrenatural não lhe ataca, fazendo dela seu objeto de mimo e devoção.

O desfecho faz referência aos primeiros capítulos da saga Sexta-feira 13, em especial as partes um e dois, dada sua solução final. Apesar da extrema tosquice, a perseguição no terço final chega a divertir, fórmula que talvez garanta possíveis continuações, ao contrário de seu primo A Forca, que foi um fracasso. Em uma semana de exibição, Boneco do Mal conseguiu pagar o seu baixo orçamento, driblando até a falta de carisma de Cohan e seu par Rupert Evans, com situações tão risíveis que fazem reenquadrar o filme em uma categoria mais trash do que sua premissa anunciava.

Filipe Pereira

Filipe Augusto Pereira é Jornalista, Escritor, quer salvar o mundo, desde que não demore muito e é apaixonado por Cinema, Literatura, Mulheres Rock and Roll e Psicanalise, não necessariamente nessa ordem.
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