Cinema

[Crítica] Casa dos Mortos

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A Casa dos Mortoos1

Produzido pelo diretor queridinho dos aficionados por filmes de terror mainstream James Wan, Casa dos Mortos remete à tradicional história de casas mal assombradas, evocando clássicos como Poltergeist e Horror em Amityville, além da franquia recente Atividade Paranormal. O filme de Will Canon (diretor também de Brotherhood) se baseia em uma premissa intimamente ligada a criaturas satânicas, tendo na sua alcunha original Demonic a clareza de sua exposição de ideário.

Semelhante ao último lançamento de Scott Derrickson, Livrai-nos do Mal, a fita também inicia-se através de uma investigação policial, que logo faz lembrar flashbacks, explicitando o mal que seria averiguado. Um grupo de jovens, sem maiores prendimentos sociais, se meteria em uma caça a fantasmas, sem qualquer viés humorístico na busca. O detetive Mark Lewis (Frank Grillo) é responsável por conversar com o único sobrevivente do quinteto. As cenas iniciais mostram um homem tomado pela fúria, remetendo ao traço comum de possessão espiritual do cinema.

John (Dustin Milligan) tem receio de prestar seu depoimento a Doutora Elizabeth Klein (Maria Bello), em um misto de ansiedade e temor pelos acontecimentos misteriosos que acompanhou. O estilo de filmagem, emulando gravações documentais, intercalando com cenas do presente faz grande parte do impacto do suspense se perder em meio ao método utilizado.

Casa dos Mortos 3

O espectro de sustos ocorre através de transformações físicas, pioradas e muito por serem impingidas por conhecidos do narrador das histórias. A violência extrema é mostrada por jovens comuns, que “retornam” à vida, atemorizando o passado e o presente de John e dos policiais envolvidos no inquérito. No entanto, a maioria das sequências de ação é mal urdida, faltando a mínima ambientação de thriller espiritual, normalmente em lugares iluminados ao extremo, sem qualquer possibilidade de um susto mais elaborado, tampouco envolve o espectador no drama apresentado, pela pouca profundidade dos personagens e do texto em si.

Apesar de bem intencionado, Casa dos Mortos não consegue sequer chegar perto do dourado panteão de filmes de James Wan, resumindo uma história até interessante, mas sob execução meia boca, resultando em um filme genérico de terror/policial. O final surpresa consegue até surpreender, e dar um alento para o público que pacientemente acompanha a rotina de Klein e Lewis, salvando a fita de uma mediocridade ainda mais categórica.

O gancho, apresentado nos últimos cinco minutos, abre uma forte possibilidade de continuações, o que seria certamente um erro, visto que a premissa pobre mal durou em um filme, que dirá em uma franquia. Fora a competente direção de Canon, pouco se diferencia Demonic da patuleia geral que é o cenário de terror mainstream.

Filipe Pereira

Filipe Augusto Pereira é Jornalista, Escritor, quer salvar o mundo, desde que não demore muito e é apaixonado por Cinema, Literatura, Mulheres Rock and Roll e Psicanalise, não necessariamente nessa ordem.
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