Cinema

[Crítica] Certo Agora, Errado Antes

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Certo Agora, Errado Antes

Filme leve, com pitadas de romance, Certo Agora, Errado Antes é o mais recente trabalho do diretor coreano Sang-Soo Hong, o mesmo de Montanha da Liberdade. A história persegue o cineasta Ham Cheon-soo (Jae-yeong Jeong), que acidentalmente chega cedo à cidade de Suwon, que serviria de base para um debate a respeito de seu mais recente filme. A partir desse evento entrópico, o homem trava contato com Yoon Hee-Jeong (Kim Min Hee), uma artista plástica que conhece em um restaurante-palácio e com quem tem conversas francas que elucubram sobre o nada.

O breve nível de conhecimento sobre um e outro não impede o casal de passar pelos estágios de crise inerentes a uma convivência amorosa tradicional, com direito a brigas e entreveros típicos de quem tem relação por longo tempo. Perdas e ganhos ocorrem entre os dois, além de uma gangorra emocional capaz de mudar toda a programação de prioridades de Cheon-soo.

Com o desenrolar da trama, o realizador deixa de se preocupar com a exibição e passa a se dedicar mais a sua nova paixão, deixando de lado a necessidade de discutir sua própria arte com outrem. A abordagem que Hong dedica ao seu filme é peculiar, quase ausente de efeitos provindos de trilha sonora e música, usando a monotonia e o tédio para poetizar sobre a existênci, e fazer mover os entes em direção da mudança de seus status, fazendo-os procurar algo próximo do bem estar.

O cinema de Sang-Soo Hong fala sobre a efemeridade da vida através de anedotas, e no caso deste longa o foco é na solidão e rejeição, usando um personagem que não consegue compreender a perfeição e usa as próprias limitações para gerar na dramaturgia e no espectador um sentimento de empatia, apelando para a impotência de quem tentar alcançar o ideal amoroso, normalmente sem êxito. Certo Agora, Errado Antes consegue atingir essa nuance e trata de modo leve uma questão de gravidade extrema, servindo com retrato fiel da filmografia de seu realizador.

Filipe Pereira

Filipe Augusto Pereira é Jornalista, Escritor, quer salvar o mundo, desde que não demore muito e é apaixonado por Cinema, Literatura, Mulheres Rock and Roll e Psicanalise, não necessariamente nessa ordem.
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