Cinema

[Crítica] Espaço Além – Marina Abramovic e o Brasil

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Espaço Além 2

Nascida na Sérvia e famosa por suas intervenções artísticas altamente performáticas, a artista Marina Abramovic é despida diante do público no documentário do diretor Marco Del Fiol. Espaço Além – Marina Abramovic e o Brasil conta em detalhes a incursão da artista pelo país entre os anos de 2012 e 2015 e a maneira como as suas vivências em terras tupiniquins influenciaram diretamente sua espiritualidade e, consequentemente, seu trabalho, dando destaque para os rituais xamânicos, candomblecistas e de tantas outras vertentes religiosas que parecem conectar Marina com um “outro lugar”, onde encontra inspiração e direcionamento para a sua arte.

Em alguns momentos, as imagens captadas chocam por sugerir dor, sofrimento e angústia. Mas não poderia ser diferente em se tratando de uma das mulheres mais famosas por reconhecer e traduzir o sublime através do doloroso. A sensação é de estar diante de uma grande exposição, passeando pela mente controversa da artista e sendo alvo das emoções que ela desperta.

A escolha de roteiro ajuda muito a contar essa história, ainda que não haja muito o que contar. O contexto aqui é aberto e multidirecional. São imensos, coloridos e sinestésicos recortes de um Brasil amplo em nuances, significados e sentidos aliados à força do místico. É como se Marina se colocasse como um fio condutor entre o mundo tátil (real) e esse “outro lugar” trazido pelo oculto. A narração em primeira pessoa torna o filme mais digerível, ao passo que aproxima o público tomando-o pela mão e conduzindo o caminho. Não fosse essa a estratégia e muito provavelmente seria difícil quebrar a dureza de algumas sequências.

Sem dúvidas, Espaço Além não se trata de um documentário de fácil aceitação do público, pois trabalha assuntos e abordagens muito incomuns para a maioria dos espectadores. É um filme de experimentações, de descobertas, de liberdade de pensamento e exercício criativo. Um prato cheio para aqueles mais próximos de uma sensibilidade artística. Talvez um dos melhores documentários-arte desde Pina, de 2011.

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Texto de autoria Marlon Eduardo Faria.

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