Cinema

[Crítica] Horas de Desespero

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Horas de Desespero - poster

O cinema de ação da década de 80 fundamentou um estilo narrativo com grandes personagens e atores de destaque em histórias simples e lineares, baseadas no tradicional mocinho versus bandido para desenvolver o argumento, repetido em muitas outras tramas, com diversas cenas de ação ainda lembradas pela sua competência e certa extravagância. Atores baseados em um porte físico fundamentaram tais produções e, mesmo que as modificações temporais tenham acrescido novos atores e perfis para o gênero, o retorno ao estilo dessa época é inevitável e rentável, dada a nostalgia.

Horas de Desespero marca o resgate deste estilo logo nas primeiras cenas de ação intensa, finalizadas com o  título do filme ampliando-se na cena, assemelhando-se a muitos outros feitos nesta era de ouro da ação. Em um primeiro momento, parece improvável que Owen Wilson, ator de comédias e sempre verborrágico em seus papéis, seja personagem principal em uma história de ação. Dirigido por John Erick Dowdle, a produção apresenta uma família que, após uma proposta de trabalho oferecida ao patriarca, muda-se para um país asiático fictício no mesmo dia em que o local sofre um golpe de estado.

Na filmografia breve do diretor, o terror predomina como narrativa e, assim, o medo é utilizado como aliado para desenvolver a tensão nesta produção. Inserido em um país sem nome, o qual nem mesmo sabe a língua, o desconhecido é parte do desespero da família - composta por marido, esposa e duas filhas, um círculo de elementos frágeis que o obrigam a se tornar um obrigatório herói. Alguns críticos fizeram a leitura desta obra como uma ode à supremacia americana, rindo de países de terceiro mundo, com uma família tentando fugir deles. Porém, o roteiro assinado pelo diretor em parceria com Drew Dowdle usa este artificio de família em país estranho somente como ponto de tensão. A maneira plana a qual mocinhos e bandidos são apresentados, acrescidos pela urgência e medo da família, configura o enredo em uma trama de terror. Muda-se o contexto, mas a estrutura é a mesma. O medo ainda é um objeto específico, porém, em vez de um personagem inexistente, zumbis, vampiros e qualquer outros, utiliza um golpe de estado para tal.

A crítica não parece o escopo desta história. A ação é pautada do começo ao fim e Dowdle utiliza recursos do gênero para intensificar suas cenas, dando vazão a câmeras lentas e eficientes, provando que o recurso usado em demasia nos últimos anos ainda pode ser visualmente coerente, além de cenas que acompanham um personagem em fuga com a família, colocando o público em primeiro plano para saltos, quedas e outras ações de fuga. São estas cenas bem trabalhadas que refletem ansiedade e tensão no público.

Nesta composição hibrida entre a urgência e o medo do terror e a eficiência de uma trama de ação, Horas de Desespero entrega uma história que homenageia parte do estilo nostálgico da ação da década de 80 com um herói improvável em cena, porém, eficiente na proposta de um filme de entretenimento autêntico.

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Thiago Augusto Corrêa

Apreciador de cinema, literatura, quadrinhos e música. Formado em Letras, escritor e metido a sabichão.
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