Cinema

[Crítica] Hotel Transilvânia

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A carreira de Genddy Tartakovsky em animação é dedicada a discutir estereótipos. Foi assim em Samurai Jack e até em sua versão de Clone Wars, onde apresentava uma interseção entre os episódios II e III de Star Wars. A ideia por trás de Hotel Transilvânia mistura a moda recente de tornar antigos vilões em protagonistas bonzinhos, fugindo do maniqueísmo habitual, junto a premissa do clássico Deu A Louca nos Monstros, ao se focar na figura do Conde Drácula (Adam Sandler) como dono do estabelecimento que abriga criaturas monstruosas, ao estilo dos filmes antigos da Universal.

A diferença báscia entre essas e outras paródias está na construção do repertório de Drack, como um pai super protetor, deixando sua filha Mavis (Selena Gomez) longe de qualquer possibilidade de interação com os temíveis humanos, que perseguiram a si e aos seus amigos no passado. A trama passa a amadurecer, quando o morto vivo permite a sua saída, ainda que breve em seu aniversário de 118 anos. A realidade mostra um ardil, preparado pelo patriarca ancião, que acaba por convencer sua herdeira de se recolher. O chamado à aventura ocorre quando Jonathan (Andy Samberg), um humano tenta se hospedar no negócio familiar de Drácula, sem poder ser recusado, graças a grande movimentação das festividades.

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O roteiro, repleto de coincidências e viradas bobas de amor é somente um pretexto para Tartakovsky apresentar referências a literatura de terror e para figuras do cinema de David Lynch, David Cronenberg e Ken Russell. Em algum ponto, o argumento se permite ousar um pouco mais, antevendo questões de reversão de expectativa, vistas futuramente em produções como Malévola, ainda que neste, a prerrogativa seja bem menos pretensiosa.

Hotel Transilvânia possui todas as gags visuais típicas das animações infantis, abusando da cor chamativa e da docilidade das falas, se apoiando também em um protagonista a príncipio visto como malvado, e claro, em um romance improvável da mocinha no forasteiro. Mas a perversão do status quo conservador é bem mais interessante neste do que nas comédias que beiram a imbecilidade vistas na trilogia Meu Malvado Favorito (incluindo ai Minions) e nos demais pares, surpreendendo pelo subtexto de aceitação não só da própria identidade, como da influência externa de um mundo hostil.

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Filipe Pereira

Filipe Augusto Pereira é Jornalista, Escritor, quer salvar o mundo, desde que não demore muito e é apaixonado por Cinema, Literatura, Mulheres Rock and Roll e Psicanalise, não necessariamente nessa ordem.
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