Cinema

Crítica | A Maldição de Chucky

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A intenção de Don Mancini em retornar ao terror na franquia Brinquedo Assassino é muito boa, simpática e agradável. Especialmente após as comédias de humor negro A Noiva de Chuck e O Filho de Chucky.  Mas - como a máxima de Mister Paretto já anunciava - “perde seu tempo com bobagem”, visto que, para o horror voltar à tela, deveria-se contratar um diretor decente para a sexta sequência: os maiores pecados de A Maldição de Chuck estão em sua direção.

Nenhum personagem se encaixa de forma verossímil na trama, exceto Nica, feita pela belíssima Shakira, a genérica Fiona Dourif – obviamente, a filha de Brad Dourif, o boneco preferido de 11 entre 10 fãs de slasher movies - todas as atuações são fracas e muito piores que os porcos e tacanhos efeitos em CGI.

Outro grave problema é a total ausência de clímax, suspense ou expectativa. O mistério é mal construído. Mesmo que o boneco demore bastante para tomar vida diante da câmera e não seja o piadista dos últimos dois episódios, carece de carisma – coisa que não faltava nos últimos dois episódios da série – não só do protagonista, mas também de suas vítimas, mortas de maneiras pouco criativas e plásticas.

A fita tem uma cara de telefilme terrível e tem os cacoetes de Mancini os quais lembram as gags de comédia de O Filho de Chuck, mas que não são engraçados. A única parte de que se ri é da desgraçada movimentação do boneco. Porém, os closes nos pés e escorregões são inferiores até aos mostrados no filme de 1988.

Quando o terror não assusta, é difícil imergir na trama. A melhor cena executada é a da facada no olho - ainda que nem tão interessante ou gore - e perde o significado ao ser seguida pelo globo ocular caindo pelos degraus da escada. A sequência anterior a isto, com Barb – sim, mais piadas intencionais com brinquedos - descascando o rosto do boneco e evidenciando as cicatrizes é de um mal gosto absolutamente desnecessário.

O orçamento paupérrimo não justifica os equívocos de Mancini na direção. Tampouco valida a falta de qualidade da película, pois outros realizadores contemporâneos já fizeram melhor, com menos dinheiro e mais criatividade.  É risível ver um boneco de menos de meio metro manejar um carro sem ajuda de nada e de ninguém. A execução de Ian (Brennan Elliot) é mal feita e desnecessária. O combate entre a única personagem bem construída e o brinquedo é uma sequência horrorosa, mal filmada e anticlimática. Sem mencionar, é claro, na "insanidade" de Nica apresentada no final, numa das mais toscas cenas de tribunal da história do cinema.

O flashback quebra a ação do final e traz uma ligação totalmente esdrúxula e filmada em preto e branco, numa fracassada tentativa de fazer um mashup com cenas do filme original. Os últimos minutos têm reviravoltas que poderiam ser épicas - com o cumprimento da profecia inaugurada no primeiro longa em 1988, mas até então jamais consumada - na tentativa de reverenciar os detalhes da franquia. Mas só faz compor ainda mais vergonha a tudo isso, sem mencionar o problema com o continuísmo e o final dúbio do filme. A cena pós-créditos é confusa e invalida a anterior. Deixa a cabeça dos fãs em polvorosa até para encaixar este filme na cronologia, ainda que os indícios levem a crer que se passe após O Filho de Chuck, visto que ele cita os Tilly como uma de suas “famílias preferidas”.

O filme falha ao tentar encaixar-se na franquia sem ignorar os anteriores, ainda mais ao apoiar a história em uma trama paralela que deveria ter importância, mas é insípida em seu caráter. Tornando este sexto capítulo um pesadelo, ainda mais se pensarmos que pode dar prosseguimento a outras sequências.

Em suma, absolutamente dispensável.

Filipe Pereira

Filipe Augusto Pereira é Jornalista, Escritor, quer salvar o mundo, desde que não demore muito e é apaixonado por Cinema, Literatura, Mulheres Rock and Roll e Psicanalise, não necessariamente nessa ordem.
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