Cinema

[Crítica] Maravilhoso Boccaccio

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Adaptação de obra literária Decamerão escrita por Giovanni Boccaccio, os irmão Paolo e Vittorio Taviani trazem a luz Maravilhoso Boccaccio, três anos após sua obra Cesar Deve Morrer. O longa retrata uma realidade terrível, remetendo ao tempo de peste negra, em 1348. No primeiro segmento, é mostrado um grupo de jovens que a fim de fugir do infortúnio da doença, se desloca para uma casa no campo, longe da cidade e sem quaisquer distrações minimamente interessantes, exceto pelas histórias que os próprios contam.

Os Taviani tecem em tela uma Florença vívida  e repleta de cores muito fortes, que contrastam com a terrível melancolia dos que são acometidos pela enfermidade, no entanto, o aspecto que deveria tornar o longa algo diferencial acaba por fazer pesar um bocado a mão da direção. A ânsia por soar fiel ao texto de Boccaccio priva o filme de trazer tons mais escuros da alma humana, soando até um pouco reducionista em sua métrica, fugindo da possibilidade de explorar mais a fundo a hipocrisia típica dos que viviam no século XIV e que ainda encontra eco nas atitudes atuais.

Toda a gravidade vista em Pai Patrão, filme clássico dirigido pelos irmãos Taviani em 1977 não é vista neste novo produto, que aparenta até um mal acabamento dada o seu caráter anacrônico. Os defeitos de sua feitoria parecem ocorrer pela pressa de seus realizadores, que normalmente guardam um bom período de hiato entra uma obra e outra, ao contrario do que fizeram entre a penúltima e última película. Em alguns momentos, a qualidade da fotografia é tão precária que mais parece um filme feito para o formato de televisão do que para o cinema, em especial nas cenas em que há o uso de animais naturais ou digitais.

A duração do filme aparenta ser até maior do que as pouco menos de duas horas. As atuações melodramáticas do elenco fazem o filme cair em uma aura de estranhamento, ainda mais em se tratando de um texto clássico. Maravilhoso Boccaccio é um filme que tem intenções bem delimitadas mas que se limita demais dentro das discussões que propõe e que poderia propor, soando até frívolo. As paisagens compõem locações belíssimas, mas o conteúdo não acompanha a qualidade imagética.

Filipe Pereira

Filipe Augusto Pereira é Jornalista, Escritor, quer salvar o mundo, desde que não demore muito e é apaixonado por Cinema, Literatura, Mulheres Rock and Roll e Psicanalise, não necessariamente nessa ordem.
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