Cinema

[Crítica] A Mulher de Preto 2 - Anjo da Morte

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A Mulher de Preto 2 O Anjo da Morte

Dez anos após os acontecimentos de A Mulher de Preto, lançado em 2012, com Daniel Radcliffe, a mística do terror sobrenatural incorporado em uma misteriosa mulher em trajes pretos retorna aos cinemas. Mulher de Preto 2 – Anjo da Morte estreou simultaneamente nos cinemas e também como romance literário, escrito por Martyn Waites com base em um conceito da autora do original, Susan Hill, e no roteiro desenvolvido por Jon Crocker.

Durante a guerra, Londres vive sob bombardeios diários que destroem famílias, deixando órfãos como sobreviventes. Decididas em afastar os infantes desses horrores, uma governante e uma professora reúnem um grupo de crianças e levam-nas para um local pacífico. O momento precário sem muitas opções faz com que o grupo se hospede na Mansão do Pântano, conhecida desde o filme anterior como a morada da mulher de preto. Dentre o grupo de órfãos, o pequeno Edward ainda vive o luto da perda dos pais e, traumatizado, não pronuncia nenhuma palavra. O garoto evidentemente será a conexão estabelecida com o sobrenatural. É uma representação tradicional do infante puro, porém traumatizado, que por sua formação ainda primária chama a atenção do espírito.

As câmeras subjetivas são o primeiro indício de uma força oculta presente na casa. Porém, a figura título é tão enigmática que mal aparece em cena. Raramente vemos inferências de sua presença em cenas rápidas ou nos detalhes em close, como mãos e a mortalha utilizada como figurino. Não fosse a obra uma sequência, a trama poderia envolver outra entidade tamanha ausência da personagem, que supostamente deveria conduzir o medo tanto para o enredo do filme como também aos espectadores.

Há uma descrença da própria situação por parte dos personagens. Após as primeiras manifestações de sons e objetos se movimentando, e do estranhamento natural diante de tais situações, a personagem central, a professora Eve Parkins, modifica sua postura e não mais parece angustiada por um elemento desconhecido. Como se soubesse exatamente do que se trata a presença espiritual, e esta não mais lhe amedrontasse. Em nenhum momento, porém, o grupo parece conhecer a história anterior do advogado Arthur Kipps, que também passou por apuros na primeira produção graças a esta manifestação espiritual. Há uma breve investigação sobre a origem da mulher e a perda de um filho, mas este argumento não é suficiente para que se compreenda a motivação, se é que há uma, da entidade. E muito menos porque ela não é mais assustadora para a referida personagem da professora.

O pequeno Edward, responsável por manifestar o ente, é um garoto nada empático. Mesmo uma trama envolvendo crianças, elevando o apelo assustador pelo perigo contra inocentes, este elemento não favorece a história devido à falta de carisma do garoto. É nele que reside o desejo de morte da mulher espírito. Porém, falta ao garoto cativar o público para que torçamos por sua salvação.

O sucesso do primeiro filme, com 110 milhões em bilheteria arrecadados ao redor do mundo, sendo o terror britânico com mais público em em 20 anos, proporcionou a produção desta sequência, que se utiliza da mesma atmosfera original, porém com uma personagem assustadora que mal entra em cena, e adultos em dúvida se temem ou não as manifestações desconhecidas. Assim, esvai-se a sensação de que esta produção se aproveita do sucesso da anterior, regida apenas pela exigida demanda de continuações, sem nenhuma intenção de ser uma obra de terror ao menos razoável. Um terror que não provoca medo. Isso, sim, um fato assustador.

Thiago Augusto Corrêa

Apreciador de cinema, literatura, quadrinhos e música. Formado em Letras, escritor e metido a sabichão.
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