Cinema

[Crítica] Perseguição Virtual

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Perseguição Virtual - poster

A análise de uma obra deve ser feita conforme a perspectiva da proposta cinematográfica. Não se pode assistir a um blockbuster e exigir primariamente uma história profunda ou erudita. Muitas vezes, a fórmula como tais filmes são compostos não desenvolve base suficiente para isso. Dessa mesma maneira, uma obra mais profunda, de cunho autoral, pode distanciar-se de uma história convencional e ter um apelo menor ao grande público. Evidente que, dentre essas definições, surgem produções feitas propositalmente para serem engraçadas ou intencionalmente toscas. Uma visão que deve ser prevalecida na análise crítica.

Ameaça Virtual reúne Elijah Wood – que participa igualmente de grandes produções e de obras menores, como se atuasse também por diversão, além de trabalho – e a ex-atriz pornô Sasha Gray representando, desejando ou não, mais uma vez a mulher fetiche, a fim de atrair marmanjos para assisti-la. Filmado inteiramente por webcams, o conceito da produção é exagerado propositadamente.

Wood é Nick Chambers, administrador de um site dedicado exclusivamente à atriz Jill Godard (Gray). Vencedor de um concurso para jantar com a estrela, Chambers fica decepcionado ao descobrir que a promoção era falsa e, com a ajuda de um misterioso hacker, se transforma em pivô de uma teia virtual que deseja conspirar contra a atriz.

A trama é absurda. A princípio, pelos exagerados recursos tecnológicos fornecidos pelo hacker anônimo: o fanático observa a musa por câmeras de vigilância, acessa integralmente dados do celular da garota, além de utilizar diversos outros meios que registram imagens. Tudo apresentado como um passe de mágica ao personagem.

O roteiro é focado no suspense do hacker anônimo, que utiliza Nick e sua fascinação pela atriz para obrigá-lo a realizar uma atividade criminosa. Embora absurda, a tensão se mantém, e o ritmo exagerado, graças aos diversos recursos tecnológicos, produz um tom kitsch à obra, que parece impossível de ser levada a sério. Distanciando-se de qualquer conceito relacionado a uma conspiração real, a história se transforma em um divertimento descerebrado de um garoto tentando salvar a mulher de seus sonhos.

Os recursos digitais são bem utilizados em cena. Como assistimos à boa parte da obra através de uma tela de computador que captura a imagem de Chambers, observa o celular da atriz, e a vê em câmeras de vigilância diversas, além de outros recursos, o excesso de informação poderia retirar a atenção do público. Porém, a edição e a multiplicidade de câmeras dão agilidade e o enfoque necessário para cada situação que mereça maior atenção do público.

Se há alguma lição a ser extraída da obra – mesmo que de maneira desnecessária, afinal, como mencionado, a produção não se propõe a isso –, é o cuidado que devemos ter na era virtual; e, principalmente, qualquer donzela em perigo necessita de salvação. O absurdo da produção sustenta uma trama divertida, em que os atores também estão à vontade. Como se, diante de grandes produções de Wood e da sempre pretensa seriedade de Gray, fosse favorável um tempo para a produção de uma obra cujos recursos não são necessários, e em cujo set de filmagem seja possível divertir-se.

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Thiago Augusto Corrêa

Apreciador de cinema, literatura, quadrinhos e música. Formado em Letras, escritor e metido a sabichão.
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