Cinema

Crítica | Rota Suicida

Compartilhar

The Gauntlet - Rota Suicida

Encerrando a década de 70 com seis filmes na direção, Clint Eastwood explorou, a cada uma de suas produções, vertentes diferentes de histórias como se desafiasse seu talento a cada novo projeto. Rota Suicida retorna a vertente urbana de suas narrativas, apresentando o ator em uma de suas composições tradicionais – a de um policial durão – selecionado para uma missão específica: escoltar do estado vizinho, Nevada, até o Arizona uma prostituta para depor em um importante caso.

Apoiado em um argumento simples de uma travessia urbana, uma espécie de road trip policial, o filme explora com qualidade as locações no Arizona e Nevada em uma trajetória aparentemente simples que se torna repleta de empecilhos. Uma missão que se complica quando o policial Ben Shocley descobre ser bode expiatório de uma conspiração que, na verdade, deseja matá-lo com a testemunha.

Ao lado de Eastwood como o policial central, a parceira Sondra Locke visa uma relação cinematográfica iniciada em Josey Wales – O Fora-da-Lei, contracenando com o companheiro. A relação que se expande na tela intensifica a química do casal e equilibra a produção em sua vertente policial simultaneamente, quando flerta com o humor através do conflito entre policial e testemunha. Shockey, como o bronco policial traído pela corporação que deseja a todo custo realizar sua missão para provar sua capacidade, e Gus Mally como a impaciente testemunha a contragosto.

Ambientada nas rodovias interestaduais destes dois estados citados, a história é quase inteiramente voltada aos problemas dos personagens que, tentando sobreviver e chegar à delegacia, se metem em peripécias fugindo daqueles que desejam matá-los. Um filme que necessita do carisma de seu casal. As cenas de ação são cruas, claramente filmadas sem nenhum efeito especial sobreposto, um estilo não mais utilizado atualmente e que transmite urgência, além de perícia técnica. Como Shocley fugindo em uma motocicleta roubada enquanto um helicóptero atira no casal, uma cena comum em tantos filmes de ação, mas bem filmada e angustiante. Sem mencionar a cena mais popular deste longa-metragem, um tiroteio contra um ônibus filmado na claustrofóbica longa sequência que carrega o ápice dramático e de ação da história.

A ação predomina na condução narrativa sobrepondo-se a história e demonstrando, mais uma vez, a potência do diretor ao conduzir tais cenas. Mesmo que pareça redundante observar a evolução de Eastwood filme a filme, é interessante ponderar em panorama como, nestas primeiras produções, o diretor evitou um único registro, aventurando-se em estilos diversos, como se experimentasse uma paleta de composições cinematográficas buscando, acima de tudo, o conhecimento e o desafio. Fazendo das diferenças, a cada filme, suas características como diretor.

Thiago Augusto Corrêa

Apreciador de cinema, literatura, quadrinhos e música. Formado em Letras, escritor e metido a sabichão.
Veja mais posts do Thiago
Compartilhar