Cinema

Crítica | Samurai III: Duelo na Ilha Ganryu

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Samurai III: Duelo na Ilha Ganryu fecha a trilogia dos anos cinquenta sobre o lendário samurai conhecido como Miyamoto Musashi.

O diretor Hiroshi Inagaki se mantém como condutor, como foi nos filmes anteriores. Além disso, Toshirô Mifune segue como Takezo/Musashi. O intérprete fica ainda mais à vontade e se percebe essa familiaridade com o papel, sobretudo nos momentos introspectivos, pensando nos sacrifícios pessoais que realizou para se tornar o combatente perfeito, mesmo que depois dos cinquenta ele tenha percebido o quão maléfico para a vida humana é o belicismo.

Esse possivelmente é o filme mais maduro conduzido por Inagaki. As lutas seguem belíssimas, com escolhas de cenários idílicos que em sua calmaria maximizam a sensação de inevitabilidade das batalhas, montando um contraste interessante entre a selvageria das batalhas e a direção de arte. Isso é mérito do diretor, mesmo que obviamente seguisse o roteiro dos livros de Eiji Yoshikawa, pois a mera descrição literária não garantiria um grande trabalho, mas apenas uma facilitação.

O grave problema do filme segue sendo os desvios sentimentais que miram um público mais universal, neste ponto quase não há equilíbrio. A trama amorosa retorna com força, Otsu continua buscando por Takezo. A insistência nesse arco é sem dúvida o maior defeito do filme e da saga como um todo, e tornar a história mais universal possível tem esse preço pesado, com um gasto desmedido de tempo de tela em um aspecto mal resolvido e que, dramaticamente, não traz grandes acréscimos. A única exceção dentro desse quadro é que as mortes que orbitam esse núcleo de personagem causam furor no herói, mas para além disso, não há praticamente nada.

Da parte técnica, o filme segue impecável, a fotografia de Kazuo Yamada segue orquestrando bem os momentos de ação e contemplativos. A batalha final na beira da praia, com o sol por testemunha, é bonita e poética. O fim do duelo é súbito, inesperado e carregado de emoção, e esse, ao lado das cenas iniciais que mostram um torneio de habilidades entre combatentes, resumindo a jornada de Takezo rumo à perfeição como samurai.

Filipe Pereira

Filipe Augusto Pereira é Jornalista, Escritor, quer salvar o mundo, desde que não demore muito e é apaixonado por Cinema, Literatura, Mulheres Rock and Roll e Psicanalise, não necessariamente nessa ordem.
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