Cinema

[Crítica] Se Deus Vier Que Venha Armado

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Se Deus Vier Que Venha Armado

Luis Dantas orquestra o drama policial Se Deus Vier Que Venha Armado, munido da experiência que teve com Mauro Baptista Vedia no média-metragem A Performance. Seu novo filme acompanha Damião (Vinicius Oliveira), um homem em breve liberdade condicional, que ao encontrar seu irmão Josué (Clayton Mariano) tem também de cumprir uma tarefa para seus colegas de prisão, enquanto está no lado oposto das grades.

O entorno dos personagens é formado por personagens toscos, pastiches da vida real, pessoas cujo arquétipo fala mais alto do que qualquer construção de personagem. Os habitantes do lugarejo pobre e suburbano de São Paulo são formados por pessoas moralistas ou religiosas. O fato da história se passar em uma área carente pretensamente ajuda a explicar o discurso maniqueísta, que não leva em conta as injustiças sociais comuns aos menos abastados, tratando quem é ligado ao crime como seres execráveis, não importando o contexto.

A construção da moral do filme é falha. Toma-se um cuidado excessivo em tornar os métodos de contravenção e tráfico de drogas como alvos naturais dentro da rotina dos habitantes dos locais explorados pela câmera, o que não justifica em momento algum o juízo de valor que o roteiro faz dos que praticam atos marginais, quase culpando-os por completo, em uma demonstração de visão que beira o fascismo, ao julgar tudo e todos através do argumento dos personagens que são policiais, os quais, por sua vez, também não são trabalhados.

Há uma pífia tentativa de poetizar os momentos dos excluídos, emulando uma letargia provinda da anestesia causada pelo torpor das drogas usadas por eles, ao menos segundo a ótica tacanha e piegas pensada pelo filme. Sobram gírias e atitudes intempestivas na vã tentativa do filme em parecer minimamente realista na abordagem. O conteúdo do roteiro é praticamente nulo, o que mina as possibilidades de Oliveira, Ariclenes Barroso e o restante do elenco conseguirem qualquer reação que fuja do usual ou que destoe do péssimo exploitation de violência utilizado no longa.

Existe uma intenção em representar o dia a dia dos meninos que vivem sob o risco de morte o tempo inteiro, na eterna guerra entre poder paralelo e o corpo policial, mas tal sentimento não é nunca atingido dentro do longa de Dantas, já que a representação de ambos os lados desse conflito prima pelo vazio e pelo clichê.

Filipe Pereira

Filipe Augusto Pereira é Jornalista, Escritor, quer salvar o mundo, desde que não demore muito e é apaixonado por Cinema, Literatura, Mulheres Rock and Roll e Psicanalise, não necessariamente nessa ordem.
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