Cinema

[Crítica] Tamo Junto

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Após um início promissor e despretensioso no melancólico Apenas o Fim e um filme no mesmo estilo, Eu Não Faço a Menor Ideia do que Eu Tô Fazendo da Minha Vida, Matheus Souza se recolheu e fez pouco cinema, trabalhou em uma série na Multishow (Vendemos Cadeiras) e fez peças de teatro, além de atuar no longa-metragem de seu novo padrinho no cinema, Domingos de Oliveira. Tamo Junto tem algo em comum com BR 716, aliás, dois fatores, que é a atuação do próprio Matheus e de Sophie Charlotte como ícone máximo de beleza inalcançável.

A história acompanha Felipe (Diogo Soares) um jovem cuja vida é desinteressante e que decide subitamente terminar com a própria namorada possessiva, vivida por Fernanda Souza. A reação agressiva que a moça tem o faz ir para o hospital, onde reencontra Paulo (interpretado pelo realizador), um amigo com o qual perdeu o contato graças a pressa da vida. Ambos tem em comum o fato de não ter mudado nada desde os tempos de escola, sem maturidade ou perspectivas de futuro.

A apresentação dos personagens é curiosa, uma vez que quase todos esses são homens passivos, fracos, desinteressantes e com extrema dificuldade de dicção. Mesmo as participações de Fábio Porchat, Antônio Tabet e Rafael Queiroga acontecem nessa toada. Entretanto, nas atuações, o fator mais irritante é ligado claro ao diretor que se insere como ator, fazendo uma versão menos talentosa de Woody Allen, evocando um tipo de nerd anacrônico e anti-social, que em caricatura, funcionaria muito bem nos anos oitenta, não e 2016.

O scritpt de Matheus, Bruno Bloch e Pedro Cadore possui sérios problemas de concepção, raramente os eventos fazem sentido, e quando fazem, são fundamentadas em clichês muito fracos, apelando para assuntos de retomada de amizades antigas, de descoberta de nerds tardios e fracassos amorosos. A ideia de tentar descontruir metalinguisticamente um gênero é maravilhosa, mas não há qualquer possibilidade de comparar este com uma versão de Pânico de Wes Craven voltado para comedias românticas.

A tentativa de Tamo Junto em perverter a questão do par ideal e de desdenhar do hipster acaba atingindo até mesmo Apenas o Fim, filme de estreia do cineasta, além de servir como uma crítica a si mesmo, já que o longa também tem um caráter de indie movie. O todo é cansativo, a personagem de Charlotte é praticamente a mesma de BR 716, com o acréscimo de algumas indiscrições e inseguranças. As referências a Dama na Água de M. Night Shyamalan ocorrem só nos piores momentos e a intenção de misturar Picardias Estudantis com Ruby Sparks soa pobre, retificando a ideia de que o longa não possui uma identidade clara, estabelecendo a qualidade deste em algo abaixo até da linha de mediocridade das comédias nacionais, sendo pouco menos irritante que o comum as chanchadas atuais.

Filipe Pereira

Filipe Augusto Pereira é Jornalista, Escritor, quer salvar o mundo, desde que não demore muito e é apaixonado por Cinema, Literatura, Mulheres Rock and Roll e Psicanalise, não necessariamente nessa ordem.
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