Cinema

[Crítica] Vermelho Russo

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Vermelho Russo é um filme simples, direto e metalinguístico, que conta a história de duas atrizes em crise profissional que decidem ir para a Rússia para estudar a técnica de interpretação de Stanislavski. No percurso elas tem crises e momentos de alta intimidade expostos, sempre com um caráter muito emotivo, seja no riso rasgado decorrente da comicidade sincera do filme, como nas brigas que envolvem tanto exploração do ego quanto o não encontro de uma identidade.

Charly Braun, de Além da Estrada, dirige o longa que tem um argumento compartilhado entre ele e atriz Martha Nowill. O texto se baseia em uma viagem que ela e a atriz Maria Manoella fizeram há um tempo, nas mesmas condições. Já no começo do longa, há takes de dentro do avião que determinam uma intimidade absurda, mostrando que ambas tem uma enorme aproximação e muitos eventos internos não resolvidos.

A metalinguagem teatral é muito poderosa, e soa extremamente natural. O cotidiano das duas é divertido e harmoniza momentos de leveza e acidez. As personagens são reais, carismáticas e profundas, contando com uma atuação muito franca de ambas, como já era bastante esperado de Nowill e surpreendentemente bem executado por Manoella, que até então de desempenhos memoráveis.

O mergulho tanto na amizade quanto na vida privada das duas mulheres revela uma realidade agridoce e repleta de frustrações que parecem bobas a uma primeira vista, mas que em ambiente hostil, se tornam percalços quase impossíveis de evitar. A mistura de ficção e realidade foge do óbvio e é bem pontuada pelo cenário russo, misturando o estranhamento de uma terra estrangeira e inexplorada com sentimentos corriqueiros e familiares, tanto para público quanto para elenco.

O número elevado de situações que provocam riso não faz enganar, o feitio do artista aparenta ser árduo mesmo no caso de suas personagens que claramente são mais abastadas que a grossa maioria da classe. Vermelho Russo é conciso e sentimental, servindo tanto ao propósito de ser um bom passatempo, como também uma reflexão mais intensa.

Filipe Pereira

Filipe Augusto Pereira é Jornalista, Escritor, quer salvar o mundo, desde que não demore muito e é apaixonado por Cinema, Literatura, Mulheres Rock and Roll e Psicanalise, não necessariamente nessa ordem.
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