Literatura

Resenha | A Ciência dos Superpoderes - Juan Scaliter

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Com um ar didático em conjunto com alguns toques de cultura nerd, o autor consegue dissertar de maneira coerente sobre a premissa ditada em seu subtítulo, que diz Ficção e Realidade sobre os Poderes e Proezas dos Heróis, Anti-heróis e Vilões no Universo dos Quadrinhos. Dito isso, a obra funciona muito mais como um guia de curiosidades e verdades que (provavelmente) em breve se tornarão obsoletas, devido ao avanço da ciência. Repleto de especulações e teorias que eu nunca havia pensado, mas que, caso você deixe que a narrativa te guie, irá te levar a pensar em aspectos dos heróis que até então não parecia fazer diferença.

Por exemplo, você já imaginou alguma vez como o Monstro do Pântano poderia, por exemplo, fazer um deserto se transformar em um bosque? Não? Pois Juan Scaliter, o autor, fez isso por você, e não apenas isso, mas também saiu perguntando para inúmeros físicos, biólogos e médicos sobre os aspectos mais variados que pertencem desde os personagens mais mainstreans quanto alguns que poucos vão reconhecer. O livro começa com uma introdução à história da personagem e, após isso, começa a dissertação sobre um (ou vários) traços ou poderes que esse personagem possui.

A ideia do livro em si é, na minha opinião, genial. O problema é que se foca demais na atmosfera didática de dizer as descobertas realizadas por ele (e por outros cientistas) e muito pouco em suas teorias e opiniões sobre os assuntos. Sim, sim, em certos momentos ele se intromete com algumas linhas de piadas ou brincadeiras infames, mas é apenas isso. No final, deixa uma impressão indecisa sobre o que ele realmente queria fazer, pois pode ser tanto interpretado como um livro para ensinar ciências para jovens e crianças, quanto como um guia para os nerds de plantão que já tenham pensado em aplicar lógica aos superpoderes e, com isso, poderem ler e dizer “eu já sabia!”.

Bem, eu não sabia. E, na verdade, não sou um grande leitor de HQ (mais por falta de oportunidade do que por opção, mas tudo bem), e nesse contexto eu fui um pouco imparcial quando o assunto foi sobre os heróis tratados. No entanto, acho que enquanto o autor explica vários poderes de uma personagem, existem outros que são analisados de maneira fria por uma característica que não aparenta ser o maior traço da personagem. Como, por exemplo, quando ele seleciona o Homem-Animal.

“Seja qual for sua origem, o Homem-Animal é capaz de pensar em um animal e adquirir as capacidades do mesmo. Desse modo, ele consegue ter a força de um tiranossauro, voar como um pássaro (embora não desenvolva asas), ter a eletricidade de uma enguia e ter a resistência de uma barata. Além disso, também é capaz de falar com os animais e se comunicar telepaticamente com eles.”

Nesse trecho do livro, eu confesso que me animei em saber como exatamente ele conseguiria adquirir essas características dos animais. Antes desse parágrafo, ele diz por cima algo sobre campos morfológicos ou então a alteração morfogenética da pessoa. Como isso funcionaria? Como ele seria capaz de realizar isso? O que aconteceria com o organismo caso alguém fosse realmente capaz de pegar para si os principais aspectos de outra raça de animal? Bem, eu li o livro e a inda não sei. Afinal, ele usa esse trecho como gancho para dissertar a capacidade telepática do Homem-Animal como se, convenhamos, não existissem outros heróis/anti-heróis/vilões com essa capacidade.

Para finalizar, deixo aqui minha recomendação para aqueles que sejam tão loucos quanto o autor e queiram montar suas próprias teorias a partir daquilo que é exposto nesse livro. Apesar de alguns pedaços que não são muito animados, é uma leitura fácil que irá fluir tranquilamente, tanto pela linguagem fácil de se entender quanto pelos exemplos simples que o autor dá para explicar um determinado comportamento científico.

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Texto de autoria de Thiago Suniga.

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