Literatura

Resenha | O Magico de Oz - Frank L. Baum

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O escritor L. Frank Baum teve uma longa carreira até sua morte em 1919. Escreveu mais de vinte romances além de seu universo infantil, surgido em 1900 com o lançamento de O Mágico de Oz e que ainda hoje é considerado o ponto alto de sua literatura.

Com o lançamento de uma nova produção envolvendo o universo maravilhoso de Oz, o livro retorna às livrarias em edição especial pela Tordesilhas, com tradução de Tiago Novais Lima e ilustrações de Ana Raquel.

Em um pequeno prefácio, Baum apresenta sua intenção ao realizar a narrativa de O Mágico de Oz. Argumenta sobre a violência das histórias de contos de fada para compor uma história leve, que fosse um escapismo divertido para os leitores em um época de tempos difíceis. Entretanto, a narrativa de Baum não perde de vista tais elementos aterrorizantes. Utiliza-os como desafios a serem transpostos por suas personagens.

A edição da Tordesilhas apresenta o texto na íntegra e volta-se tanto para leitores iniciantes como adultos. O formato da edição é maior do que o tradicional, escolhido para destacar as ilustrações que, em um tamanho tradicional, poderiam ficar menos expressivas.

A narrativa é composta por capítulos curtos. Primeiro apresentando as personagens, e o motivo que levou Dorothy a parar em um lugar desconhecido, depois acompanhando cada intempérie do grupo para chegarem a cidade maravilhosa de Oz.

Dentro deste universo, há um sentido próprio em cada elemento que quebra a ideia habitual, dando espaço para a criatividade do autor e para a imersão de seu leitor nesta mágica jornada transformadora.

A composição de Oz como um mundo mais acolhedor que o real é explícita desde o primeiro capítulo em que o estado de Kansas é descrito como cinzento e sem vida. Não por acaso, a adaptação cinematográfica foi filmada sem cores neste trecho.

Em comparação com o clássico de 1936, a trama foi reduzida a sua tensão básica dos cinco amigos que procuram o mágico de Oz para ajudá-los em suas necessidades. A nova adaptação, dirigida por Sam Raimi, embora localizada em período anterior a trama de Dorothy, utiliza-se de diversos elementos presentes no livro mas não em sua adaptação para criar uma nova história.

Descobrindo tais elementos na narrativa oficial, a nova história que conta como o mágico chegou até a cidade encantada parece ainda mais inútil. Valendo mais debruçar-se nesta divertida narrativa infantil do que considerar a nova produção.

O sucesso do livro de 1900 foi ponto de partida para que Baum desenvolvesse e ampliasse seu universo mágico. Porém, nunca mais viu o mesmo sucesso que seu primeiro livro. As histórias de Dorothy e companhia até hoje permanecem no público e nas livrarias, já que, após a morte do autor, diversos outros escritores se responsabilizaram para escrever novas aventuras dentro deste novo mundo.

Talvez seu legado precise ser revisto além da história primordial. De qualquer forma, foi o suficiente para produzir um excelente livro aventureiro que sempre destaca-se nas listas de grandes livros mundiais, além de ter inspirado um incrível musical da Warner / MGM.

O relançamento da obra em seu original é mais um motivo para que esta sensível história seja redescoberta por um novo público, seja ele ainda jovem ou adulto.

Thiago Augusto Corrêa

Apreciador de cinema, literatura, quadrinhos e música. Formado em Letras, escritor e metido a sabichão.
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