Literatura

Resenha | Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda – Howard Pyle

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O leitor Dom Quixote

Howard Pyle foi um ilustrador americano que resolveu recontar os contos do Rei Arthur com o intuito de desenhá-los. Por conta disso Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda (Coleção Clássicos Zahar), trabalho acabado de Pyle, é primoroso pelo diálogo entre texto e imagens. Vamos a lenda.

Rei Arthur foi o mitológico rei da Bretanha. O monarca primeiro apareceu nos contos de Geoffrey de Monmouth no séc. XII. Segundo os contos, Arthur seria um rei magnífico que unificou a Bretanha em algum período após a expansão Romana (a data é incerta). Após esse primeiro trabalho, Thomas Malory, autor inglês do séc. XV e Sidney Lanier, um autor americano do final do séc. XIX, também retrabalharam a lenda arthuriana com destaque.

Em seguida, Pyle trabalhou criando novas histórias para embelezar a lenda do rei e seus cavaleiros. O livro publicado pela Editora Zahar é um compilado desses contos, a saber: A história do rei Arthur e seus cavaleiros (1903), a história da Liga dos Cavaleiros da Távola Redonda (1905), a história de Sir Lancelot e seus companheiros (1907), e por fim, a história do Graal e a morte de Arthur (1910).

Livro simples com linguagem voltada ao público infanto-juvenil. Frases curtas, descrições não prolongadas e por vezes o narrador onisciente fala com o leitor, seja para destacar algo surpreendente ou para prometer que a narrativa se intensifica por conta dos “prodigiosos” feitos dos cavaleiros da corte arthuriana. Pyle trabalha com linguagem romântica, os cavaleiros são sempre nobres e honrosos, as mulheres imaculadas (exceto as vilãs) e a natureza é um fragmento de Paraíso.

Num reino de tanta beleza, as disputas cavaleirísticas por vezes envolvem a manutenção dos valores da honra: uma dama foi desonrada? Vamos lutar! Um voto foi quebrado? Vamos lutar! Você afirma que sua dama é mais bonita que a minha (mesmo que de fato seja)? Vamos lutar! Você se acha melhor cavaleiro? Vamos lutar! Quero uma aventura na floresta, vamos lutar? Noblesse oblige.

Pyle faz um bom trabalho em recontar a gênese do Rei Arthur e os aspectos fantásticos que preencheram sua existência. A morte do pai, Uther Pendragon, a espada na bigorna, a espada no lago (Excalibur), seu conselheiro-mago Merlin, etc. Quanto aos cavaleiros, 49 segundo o autor, Pyle escolhe alguns e conta histórias paralelas de fama e honrarias.

Por fim, trata-se de um livro introdutório para a literatura fantástica/medieval desses que despertam o Dom Quixote que existe em quem o lê. Fácil leitura, muito bem ilustrado, é um clássico muito bem trabalhado pela Zahar. Ótima leitura!

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Texto de autoria de José Fontenele.

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