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Resenha | Batman '66

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Algumas representações do Homem-Morcego nestes 75 anos, desde sua criação, se destacaram a ponto de se transformar em ícone pela popularidade. A série de 1966 ainda é uma destas referências conhecidas pelo público como as aventuras repletas de SOC! TUM! POW!

Esta representação do Batman refletia a percepção da época, em que a realidade estava em segundo plano para a realização de um programa feito para o divertimento. Não faltavam histórias aventurescas com intrigas promovidas pelos maiores inimigos do herói e que, quase sem limites, desenvolviam as maiores artimanhas a favor do crime.

Batman '66 retoma o estilo característico da série em uma edição em capa dura lançada pela Panini Comics com as quatro primeiras edições desta série, lançadas originalmente em dezembro de 2013, com três encadernados e mais um crossover com Besouro Verde lá fora. São sete histórias que seguem à risca a narrativa televisiva contando com a presença de famosos vilões, como Charada, Pinguim, Mulher-Gato, O Chapeleiro, e outros desconhecidos e improváveis como Cabeça de Ovo, criado para a série e interpretado por Vicent Price, sendo incorporado na cronologia do personagem na década de 90.

As histórias mantêm um aspecto inocente da série, vilões planos que não tinham nenhum objetivo além de ganhos próprios e o costumeiro desejo de dominar o mundo. A criatividade dos roteiros dependia da capacidade de cada escritor em desenvolver argumentos e traquitanas para as situações apresentadas. Nesta homenagem, Jeff Parker assina os roteiros sem perder a mão no processo criativo, resultando em uma dupla de heróis com um arsenal invejável de Bat-objetos para cada e qualquer situação apresentada. Os recursos televisivos de mudança de cenas e a narrativa em off também permanecem, emulando a agilidade do seriado. Bem como as soluções que revelam o modus operandi dos heróis, sempre escalando os prédios com a bat-corda e utilizando o simples mas essencial cinto de utilidades.

Os desenhos, assinados por Jonathan Case, Ty Templeton, Joe Quiñones e Sandy Jarrell, garantindo a vertente um tanto lúdica da série, fogem do realismo em traços mais cartunescos, capazes de representar os personagens da série e manter uma caracterização próxima dos atores que os representavam, sem desenhá-los de fato, algo que provavelmente encareceria o projeto devido aos direitos autorais de imagem de cada um. Case acrescenta um sombreado azul em suas cenas, como se simbolizasse um ruído comum às transmissões analógicas de outras épocas, demonstrando o decalque e a homenagem à série sessentista.

A reverência a um período anterior do Morcego funciona como uma leitura mais leve, e deve atrair um público mais velho interessado em rever o Batman popular de sua época. Esta representação talvez não seja a única a ser revisitada. Rumores dizem que Joel Schumacher pretende escrever uma história dentro do universo de suas produções, cheias de cores e luzes.

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Thiago Augusto Corrêa

Apreciador de cinema, literatura, quadrinhos e música. Formado em Letras, escritor e metido a sabichão.
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