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Review | Jornada nas Estrelas: A Série Animada

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Reunindo quase todo o elenco original do seriado e já com todos os cenários, figurinos e demais artigos do departamento de arte já vendidos ou jogados ao lixo, Gene Roddenberry decidiria em 1973 prosseguir nas histórias da tripulação original da Enterprise, em uma série de desenhos da Filmation, a mesma que produzia os episódios de He-Man e She-ra uma década depois.

Jornada nas Estrelas: A Série Animada conteve apenas 22 episódios, e foi refutada após seu fim por seu criador, que considerava a qualidade técnica muito inferior ao que seria seu ideal para Star Trek. Exceto pela quase total fala de movimento nos capítulo, e na duração mais curta, sendo aproximadamente metade do tempo que antes se dispunha.

Apesar de ser acusada de não conter temas infantis em seus plots, todo o imaginário de exploração espacial e alta ficção científica passa por uma suavização do tema anterior, em especial a violência e agressividade, claramente mais leve. Os motes explorados são semelhantes aos vistos na serie original, como no retorno ao planeta do Guardião da Eternidade, onde a viagem a uma realidade alternativa faz Spock (Leonard Nimoy) descobrir que foi substituído na ponte de comando por um andoriano, já que sua contra parte faleceu ainda infante. A investigação do passado aprofunda o drama de ser um mestiço, ocorrido com o pequeno vulcano, que sofria por não ser de raça pura, tanto com seus amigos, quanto com seu pai, Sarek (Mark Lenard), que claramente se envergonha dele, e que somente aprende a “lição” após a interferência do futuro comandante da Frota Estelar, o que contradiz, de certa forma, a primeira diretriz.

Até no anúncio dos créditos usa-se a mesma quantidade de anos – cinco – que constituem a missão de exploração da nave. As diferenças de elenco passam pelo acréscimo de alguns extra-terrestres, como a do navegador Arek, um edosiano, dublado por James Doohan, que faz as vozes não só de Scott mais de dezenas de outros personagens. O mais curioso em relação a Arek, é que ele possui três braços, fato que dificultaria sua transposição para uma série live action.

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Há uma tentativa de trazer até o público infantil uma nova gama de discussões, que fracassam em fugir do maniqueísmo habitual dos desenhos aventurescos, como em The Magicks of Megas-Tu, que discorre sobre os bruxos de Salém e sobre Lucien, que tem muito a ver com o mito cristão de Lúcifer. O tento é interessante em intenção, mas a execução soa bastante boba, uma vez que ainda é carregada de maniqueísmo, mesmo que não favoreça o viés conservador com que normalmente se trata a figura do diabo. Uma inversão de extremismo ainda soa como sofisma.

O fato de ter sua projeção animada faz com que alguns acontecimentos curiosos ocorram, como o acréscimo de raças que só funcionariam em bandas animadas, como a espécie caitiana, da Tenente M’Ress (Majel Barrett, que também dubla Christine Chappel além de outras personagens femininas), uma oficial de feições felinas, e a raça aviária dos Skorr, que aparecem mais de uma vez inclusive. Dentro deste conceito, se desenvolve a ideia de um bolsão temporal, no episódio Time Trap, onde as centenas de raças julgam os humanos da Enterprise e os klingons da tripulação subordinada a Kor, um klingon que tem as imagens recicladas de Koroth, em outro episódio, mostrando neste aspecto as dificuldades orçamentárias do programa.

Jornada nas Estrelas A Série Animada não é considerada canônica, primeiro por Ronddenberry ter refutado sua exibição anos após ela terminar, motivado pela baixa qualidade técnica dos capítulos, utilizando a desculpa de não ter atores de carne e osso fazendo os papéis. O desfecho não possui climáx, emoção ou qualquer coisa que o valha, repete os mesmos erros do seriado original. Ao menos, o programa manteve a franquia viva e conseguiu premiações importantes, mesmo formada por uma equipe que só tinha Hal Sutherland como produtor experiente no formato. Apesar disso e de ter inspirado cenários e Enterprise, ter previsto o holodech e ter dado um nome do meio para o Kirk de William Shatner, não existe uma identidade interessante no segmento, que carece de características básicas, tanto de Jornada, quanto de um produto feito para ser exibido nas tardes de sábado.

Filipe Pereira

Filipe Augusto Pereira é Jornalista, Escritor, quer salvar o mundo, desde que não demore muito e é apaixonado por Cinema, Literatura, Mulheres Rock and Roll e Psicanalise, não necessariamente nessa ordem.
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