[Na Vitrola] A rebeldia inspiradora de Brian Jones

Os Stones são conhecidos, por muita gente, como a maior banda de rock do mundo. Não por ser a banda mais técnica ou criativa, mas por carregarem o espírito do rock and roll, puro e simples. Bandas como os Stones influenciaram e influenciam movimentos e tendências em todo mundo. Dentro dos Stones existia um cara que exalava transformação, e ele não era o Keith Richards, muito menos Mick Jagger. Estou falando de Brian Jones.

Se Brian estivesse vivo, hoje ele faria 70 anos. Jones ficou conhecido não apenas por ser o lider dos Stones durante o início da banda, mas também pelo seu comportamento transgressor e autodestrutivo. Sua importância na formação dos Stones é gigantesca, sem ele é impossível conceber que os Stones sequer sobrevivessem aos anos 60.

Jones sempre foi o melhor e mais versátil músico da banda, aos 10 anos já tocava piano com sua mãe, que era professora. Além do piano, Brian tocava clarinete, executando um concerto de Weber para clarinete aos doze anos. Quando conheceu o jazz, abandonou a música clássica e passou a tocar Sax e aos 15 anos saiu de casa e começou a fazer dinheiro tocando em bares.

Brian acabou se apaixonando pela guitarra ao ouvir um disco de Muddy Waters, o que acabou motivando o músico a formar uma banda pra tocar este tipo de música. É importante lembrar, que nessa época, Brian já era conhecido como um grande músico, apesar da pouca idade. Em uma dessas apresentações, Brian conheceu Mick e Keith. Keith ficou maluco pela forma como Brian tocava slide guitar, enquanto Brian fica extremamente feliz por encontrar jovens de sua idade com o mesmo interesse musical que ele.

No entanto, enquanto Mick e Keith ainda moravam com seus pais, Brian já tinha dois filhos com duas mulheres e não era casado com nenhuma delas, havia saido de casa há muito tempo. Tudo isso influenciou o que viria a se tornar os Rolling Stones.

Algum tempo depois, Brian convida Jagger para tocar com ele, este só aceita se Keith pudesse participar também. A primeira formação oficial da banda era Brian e Keith nas guitarras, Ian Stewart no piano, Tony Chapman na bateria, Dick Taylor no baixo e Jagger nos vocais. A banda foi batizada de ‘Rollin’ Stone’ em homenagem a canção de Muddy Waters, segundo Brian, o nome era uma referência ao trecho “A Rollin’ Stone gathers no moss (pedras que rolam não criam musgo). Daí pra frente a história virou lenda.

Não quero aqui comentar sobre as maluquices de Brian e seu temperamento violento com os outros e consigo mesmo, e sim relembrar a importância desse músico para a história do Rock and roll, do movimento beatnik e da contracultura. Brian foi genuinamente tudo o que representa (ou representava) o rock and roll. Sem ele os Stones jamais teriam existido. Brian influenciou seus amigos de banda, desde o visual andrógino de Mick à rebeldia de Keith; ditou moda; foi um multi-instrumentista dedicado a novas sonoridades e extremamente versátil; e dono de uma personalidade forte.

Brian Jones morreu em 03 de julho de 1969 aos 27 anos e até hoje sua morte é rodeada de mistérios e teorias da conspiração, mas como essas bobagens pouco importam para a música, vamos celebrar o que Brian deixou de melhor. Logo abaixo, confira algumas perfomances de Brian.


The Last Time – Riff clássico de guitarra 


No Expectations – O slide guitar da faixa é de Brian 


Under My Thumb – Brian tocando marimba


Ruby Tuesday – Brian compôs a melodia em um piano e ainda contribuiu com a flauta doce da faixa


Jumping Jack Flash – Guitarras épicas de Keith e Brian se complementando  


Paint it Black – Atacando com uma cítara


Lady Jane – Brian utiliza um dulcimer


Em um belo solo de slide guitar em Little Red Rooster do blueseiro Howlin’ Wolf


Dear Doctor – Contribuição com a bela gaita que se ouve na faixa


Brian toca guitarra e mellotron em She’s a Rainbow. Além disso, os backing vocals são de ninguém menos que Lennon e McCartney, com um arranjo de cordas de John Paul Jones 


Brian toca saxophone em ‘You Know My Name’ dos Beatles