Crítica | A Amante

Ganhador do Urso de Ouro de Berlim como melhor filme de estréia, A Amante é dirigido por Mohamed Ben Atta e mostra Hedi (Majd Mastoura), um jovem tunisiano extremamente passivo, que aceita ordens de todas as pessoas à sua volta. Ele aparenta apatia e indiferença por parte de todos, fato que o faz até ser suspeito de possuir algum grau de autismo dada sua timidez extrema, e para ele é arranjado um casamento, organizado por sua autoritária e arbitrária mãe.

Sem muitas opções, Hedi vai vendo se aproximar a data do casamento sem ter energias ou vontade de resistir a essa união forçada, até que algo muda drasticamente sua visão de mundo, que o faria romper até mesmo sua timidez extrema e seu comportamento obediente e servil, ainda que isso se dê de maneira muito gradativa.

Enquanto seu casamento está sendo organizado, ele é mandado a trabalho a Mahdia, onde tem chance de relaxar um pouco. Até uma simples ida à praia gera cenas constrangedoras, pois quando ele recebe um telefonema, corre para o saguão do hotel a fim de não ouvirem o som do mar, já que para ele seria culposo que percebessem que ele estava tendo qualquer tipo de lazer, mesmo em um tempo de descanso.

Nessa viagem, ele conhece Rym (Rym Ben Messaoud), uma mulher bela e cheia de vida, espontânea demais em comparação com o restante de sua vida. É impressionante como ele precisa se distanciar dos seus para encontrar algo minimamente motivador e que o faça se conectar com seus desejos reprimidos, e impressiona ainda mais o reflexo da segregação e até castração que ele sofre por parte dos conservadores da sua família. O fato dele precisar tomar uma decisão em cima de uma questão importante que jamais foi escolhida pelo próprio como prioritária conversa demais com o autoritarismo tradicional de algumas culturas e que ainda é bastante vigente. A análise final de A Amante é a de um filme maduro, inteligente e tocante quando precisa ser, além de uma denúncia a um modo de vida bastante triste e melancólico.

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