Crítica | A Garota na Névoa

A Garota na Névoa, filme de Donato Carrisi, se inicia mostrando o dia dia das investigações policiais em uma cidade isolada. O responsável pela investigação é o agente Vogel, vivido pelo veterano Toni Servillo, e já ao chegar a cidade, coisas estranhas ocorrem. Sua mudança de recinto ocorre graças ao desaparecimento de uma jovem, fato bastante incomum de ocorrer, evidentemente, ainda mais em um comunidade pequena e pacata.

Há algumas tramas paralelas, entre os cidadãos comuns da cidadela, que na maioria das vezes, soam bastante desinteressante, apesar de obviamente enriquecer a trama e trazer possibilidades e pistas sobre o paradeiro da menina, no entanto, é nos trechos em que Servillo aparece que o filme claramente sobe de patamar, se capturando ainda mais a atenção do espectador.

Ao menos no quesito suspense, Carrisi acerta bastante. O desenrolar do mistério é gradativo, lento, mas não enfadonho, tampouco é genérico, ao contrário, os aspectos técnicos são muito bem empregados, a trilha não é invasiva, a fotografia ajuda a causar uma sensação de sufocamento, emulando assim as sensações que os membros da cidade tem ao se deparar com tamanha barbárie. Aliás, a participação de Jean Reno faz lembrar Rios Sangrentos, embora esse seja bem mais comedido que o longa citado.

O desfecho faz o filme ganhar ainda mais força em mistérios, com uma abordagem que conta não só com uma escalada de suspense, mas também com cenas com planos e contra-planos interessantes e belos. Há momentos em que o espectador parece estar apreciando um quadro clássico em movimento. É uma pena que o roteiro de Carrisi (baseado no livro do próprio) não seja tão potente quanto sua capacidade com a câmera nas mãos, mas ainda assim, A Garota na Névoa é um grande exemplar de thriller europeu.