Crítica | A Luz no Fim do Mundo

Casey Affleck é mais conhecido por seus trabalhos como ator, mas já havia dirigido curtas e um longa, o mocumentário Ainda Estou Aqui que mostrava Joaquin Phoenix em uma estranha experiência de abandono de sua carreira como ator para ser um rapper. A Luz no Fim do Mundo reúne as duas facetas de Affleck, como condutor de filmes e como astro desse que narra uma historia pós apocalíptica, onde a população feminina praticamente inexiste.

Seu personagem tem a ingrata missão de cuidar de sua filha, Rag (Anna Priowsky), uma das poucas moças que sobreviveram a pandemia geral, fato que a torna rara e cobiçada obviamente. A relação entre pai e filha é bem carinhosa. Eles conversam muito e sempre estão dedicando carinho um ao outro, embora hajam atritos no trato entre os dois.

As atuações do elenco são boas, e pontuam bem o inicio do filme, bastante tocante e singelo, a um significado bem legal para o nome original do longa (Light of My Life) e realmente se representa isso,  com a menina dando um bom motivo para seu pai seguir vivendo apesar das perdas que sofreu. O cuidado que ele tem para esconder a moça e para manter o cabelo baixo – menor ainda que o  seu – para não causar suspeita é só uma mostra das preocupações do sujeito.

Casey não é tão habilidoso e experimentado como cineasta  quanto seu irmão, Ben Affleck, mas ele claramente quer falar de vários assuntos, uma vez que esse é bem diferente do longa anterior, bem como tem diferenças cabais de sua próxima produção, Far Bright Star, adaptação do livro de Robert Olmstead onde um grupo de aventureiros caça Pancho Villa.

O filme se baseia demais nas atuações, e normalmente, quando não há muitas  discussões entre os dois principais personagens o que se assiste é um marasmo, uma calmaria entediante que prepara o espectador e os personagens para eventos que podem ser terríveis. Vale muito pela reflexão sobre o homem que tem que equilibrar seu estado emocional depressivo com os afazeres e cuidados com uma adolescente dita normal, e que é “perseguida” exatamente por essa  condição de normalidade.

Os momentos finais causam sufoco e emoção, mas há uma mão bem pesada tanto na direção quanto no roteiro. Todo o drama pontuado pela música de Daniel Hart é esticado demais, mas seus momentos derradeiros são cortados por uma emoção bem forte, com conseqüências graves pros personagens que o público acompanhou durante as quase duas horas. Não fosse por essa questão de esticar o drama, Luz do Fim do Mundo poderia ser maior do que é, conseguindo ser mais certeiro em seu modo de registrar esse mundo diferente, violento e perseguidor aos que são diferentes.

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