[Crítica] A Morte Te Dá Parabéns

Tree (Jessica Rothe) é uma menina popular dentro do campus da faculdade, apesar de sua má fama. Um dia ela acorda de ressaca no quarto de Carter (Israel Broussard), um menino desconhecido que passou a noite com ela. É aniversário da moça e eventos muito estranhos passam a ocorrer com a personagem nesse dia, sempre ocorrendo um tipo de morte diferente, causada pela mesma pessoa. A Morte Te Dá Parabéns é o quarto longa de Christopher Landon na direção, já acostumado a trafegar pelo gênero, como aconteceu em Atividade Paranormal: Marcados Pelo Mal e Como Sobreviver a um Ataque Zumbi.

Diferente do comum em filmes do sub gênero slasher, aqui a heroína é completamente indócil e passivo-agressiva. Não há ninguém dentro do campus que não tenha uma opinião extrema sobre ela tampouco há quem fuja de seus julgamentos maldosos. Demora pouco mais de dez minutos para ela se deparar com uma figura esquisita, um stalker, munido de uma faca, como Ghostface da cinessérie Pânico, mas escondendo sua identidade através da máscara do bebê que é mascote do time da sua universidade.

O diferencial do longa é no paradoxo temporal estabelecido após um evento traumático. Tree parece estar num looping temporal de repetição. Logo a sensação é deixada de lado, a fim da comprovação de que ele está de fato revivendo os fatos pregressos a sua morte. É curioso como se desenrolam as sequências pouco antes de suas mortes, com situações criativas para o fim dos seus dias, normalmente com pouca ou nenhuma evolução de sua moralidade, uma vez que ela continua sendo egoísta em cada uma de suas ações.

O tom de comédia do longa não parece ser involuntário. O humor negro é movido via ironia, a começar pela repetição cíclica e pela sensação de que vive em tempo real um pesadelo tangível. Também é corajosa a aposta em mostrar uma história focada em uma vítima repleta de defeitos éticos sérios, fugindo da pecha de pobre coitada normalmente visto entre as scream queens.

A direção de Landon consegue estabelecer bem a sensação de inevitabilidade do destino, com cenas de assassinatos que ora se valem de um suspense parecido com o visto nos filmes de Dario Argento, ora apelando para os jumpscares típico dos filmes recentes de James Wan.

Mesmo quando apela para um lado mais cômico, o filme consegue retornar rapidamente para a angústia típica dos thrillers de perseguição entre gato e rato. Do meio para o final, há um decréscimo de qualidade na trama, com um final adocicado, que tenta restaurar a moralidade. Parece que Landon tem de repetir essa questão de terminar suas comédias com desfechos meio bobos, sendo quase um refém destas conclusões. Apesar disso, A Morte Te Dá Parabéns contém uma dose forte de sarcasmo e possui uma identidade ímpar, fato que ajuda a determinar o estilo de seu realizador.

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