Crítica | A Superfície da Sombra

Longa de Paulo Nascimento, A Superfície na Sombra é baseado no livro de mesmo nome de Tailor Diniz, e conta a historia de Tony (Leonardo Machado), que viaja para o sul do Brasil a fim de ir a um funeral. Ele acaba se atrasando, e perde o cerimonial, mas não sem se encontrar com Blanca (Giovana Echeverria), com quem começa a travar uma estranha relação, envolvendo desejo carnal e um pouco de rejeição sentimental.

Tony então passa a transitar pela pequena cidade, acompanhado normalmente da moça e ele normalmente assiste o cotidiano do lugar de maneira passiva, sem interferir muito na rotina dos homens comuns. As cenas de observação do personagem principal são acompanhados por imagens muito bonitas, melhoradas pelo cenário natural e belo e pela fotografia que valoriza ainda mais o lugar.

A questão é que a maior parte da trama simplesmente não causa qualquer sensação no espectador, já que quase nada acontece ali. O exercício de existência de Tony é literalmente só assistir os outros vivendo suas rotinas, normalmente em estrada, como se esse fosse um Road movie dedicado a somente observar a vida passar. Machado não compromete enquanto ator, apesar da clara isenção sentimental de seu personagem, Echeverria tem problemas com seu sotaque que mistura o portunhol com o linguajar gaúcho, mas fora esses senões, as atuações são bem mostradas.

Essa letargia, apesar de causa um certo incomodo no público, tem uma função narrativa importante, que é mostrar como seu protagonista é anestesiado e incapaz de ter experiências próprias, provavelmente por receio de ter qualquer incomodo ou algo que o valha, em uma vida que é covarde e incapaz de tomar qualquer decisão mais elaborada. A grande questão é que apesar das belas imagens, A Superfície da Sombra conversa pouco com seu espectador, sendo falho principalmente quando tenta soar profundo e poético.

Acompanhe-nos pelo Twitter e Instagram, curta a fanpage Vortex Cultural no Facebook e participe das discussões no nosso grupo no Facebook.