Crítica | Abominável

Para uma animação infantil Abominável começa corajosa, como um autêntico filme de monstro, exibindo a criatura selvagem que deveria ser violenta e horrorosa fugindo do laboratório onde está cativa, buscando a liberdade do seu modo selvagem e atabalhoado. Da parte humana acompanha-se a trajetória de Iy, uma menina que sempre busca muitas tarefas, para não ter que lidar com a perda de um parente recente. Isso faz com que sua vó e mãe se preocupem muito com seus afazeres.

As atividades da menina incluem cuidar de cachorros, ser babá, entregar coisas, todo tipo de ocupação que gaste seu tempo para que não pense na perda recente que teve e somente Peng, seu primo, um menino pequeno mas fanático por basquete consegue romper a barreira invisível de isolamento auto imposta pela garota. O chamado a aventura começa quando ela percebe um som estranho, no seu terraço e ao chegar lá ela se depara com a tal figura monstruosa, um Iéti. Obviamente o destino dos dois solitários se entrelaça e eles passam a viver momentos únicos juntos, incluindo ai outro membro da família, Jin.

Os personagens animados tem uma composição única, a animação que Jill Culton e o co-diretor Todd Wilderman comandam é muito boa, tanto nas figuras humanas quanto os animalescos.  O filme é muito bonito, os cenários urbanos nas ruas de Xangai, até os naturais pelas florestas e pela neve são ótimos, de uma beleza ímpar, que produzem a aura mágica que normalmente abarcava os filmes da Dreamworks da década passada.

Há semelhanças substanciais do início desta obra com Jurassic Park: O Parque dos Dinossauros, inclusive no tocante aos personagens humanos, que são introduzidos após o prólogo e claro a condição do ser gigante ser visto a partir da ótica de sua antiga jaula. O ritmo é alucinante, quase não se vê a hora passar e a química dos personagens é ótima  tanto no núcleo bom quanto no dos vilões, os primos chineses e os cientistas são muito carismáticas, sem falar na figura que Everest é, divertida e curiosa, como uma criança que tem tudo no mundo ainda por descobrir.

O sub texto e a mensagem passada as crianças não é inovadora, Abominável mira desconstruir a ideia de que é preciso atingir algo grandiosamente  diferente para se ter gozo na vida, e faz isso lidando não só com as dificuldades comuns a qualquer órfão – como é com Everest, Yi, Peng e Jin – mas também com a desconstrução de estereótipos vilanescos e mesquinhos, pervertendo o que normalmente se pensa sobre figuras antagonistas, mostrando que de certa forma, Everest e os outros Yetis tem a capacidade não só de serem sobreviventes de outros tempos, mas de provocar nas pessoas sentimentos de arrependimento, sem apelar demasiado para pieguice, conduzido de forma sentimental e positivista.

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