[Crítica] Baden Baden

Começando por uma experimentação metalinguística pontual, para depois mergulhar no cerne de sua personagem principal, Baden Baden é um filme de Rachel Lang e conta a história de Ana (Salomé Richard), uma mulher que acaba de largar um emprego na produção de um grande filme belga após ser destratada por uma atriz, para passar um verão extremo, na sua cidade natal Estrasburgo.

A câmera semidocumental de Lang além de compor uma bela filmagem, faz referenciar o comum dentro do cinema da Bélgica, usando somente imagens para prestar homenagens a sétima arte do país europeu. Além disso, há uma preocupação da diretora em traçar uma história bastante feminina, mostrando uma mulher que está caminhando para a vida adulta, ainda guardando características típicas da adolescência.

Ana é como um gato, só se achega as pessoas quando quer carinho ou outros tipos de interação. A intimidade da moça só ocorre com pessoas que ela permite se aproximar, entre elas a figura familiar de sua avó, que no decorrer da história, falece, deixando nela um enorme vazio sentimental. As características felinas se intensificam após a perda do ente querido, tornando a protagonista em um ser ainda mais arisco, exceto é claro quando quer acariciada, fator que a faz ainda mais apaixonante.

A construção do banheiro que a mulher tenciona realizar é curioso, e funciona como o catalisador de uma vida nova, já que o exercício para alcançar esse objetivo exige dela criatividade, ação e independência. Os paralelos simbólicos que o roteiro de Lang propõe soam tocantes, repletos da sensibilidade que foi mirada em O Fabuloso Destino de Amelie Poulain, mas sem toda a aura de filme pseudo-hipster, ao contrário, já que Baden Baden é econômico, enxuto e ainda assim bastante emocional e terno em toda a sua duração.