Crítica | Batguano

Da Paraíba, estado nordestino que normalmente não é tão lembrado pelo culto ao cinema brasileiro, vem o filme Batguano, do diretor Tavinho Teixeira, o longa começa com uma linguagem bem lírica, através da narração de Everaldo Pontes, que fala sobre a rotina e a vida, antes de mergulhar claramente no seu exercício poético.

A trama que Tavinho propõe envolve os dois heróis da DC Comics, Batman e Robin, em uma personificação que lembra visualmente (ao menos nos trajes e trejeitos) a versão de 66 com Adam West como Morcego e Burt Ward como garoto prodígio, inclusive referenciando a questão do relacionamento homossexual que A Sedução do Inocente pregava a respeito do vigilante e seu sidekick. Os interpretes são Pontes como o herói de Gotham e o próprio Teixeira como seu antigo ajudante.

Batguano segundo um dos jornais assistidos pelos personagens, é uma doença que se dá pelo contato com as fezes de morcego, e isso é bem simbólico, pois o filme gira em torno de como Batman e Robin vivem em uma sociedade que ainda insiste em ser retrograda, com ambos, basicamente por que suas mentes e gênios transcendem a temporalidade em que estão, avançadas demais para uma sociedade acostumada a colocar as pessoas em caixinhas e em pré julgamentos, daí uma doença transmitida por conta de um morcego não soa tão agressiva quanto o meio social corrompido pelo reacionarismo e pelo pensamento tacanho.

O filme não reinventa nada ou reconfigura qualquer situação social, ele simplesmente retrata o status quo e mesmo as pessoas doentes que compõem o mundo são muito condizentes com a realidade atual, ainda que o homem de pensamento médio aqui sejaligeiramente exagerado e mais sincero, até para causar choque e atalhar a discussão. Tavinho filma algumas cenas de sexo leve, que só chocariam realmente o público menos acostumado com o cinema underground e o mais conservador, mas claramente seu objetivo é só o de mostrar a naturalidade da vida, em uma visão meio sonhadora e utópica do que poderia ser a nossa realidade. Batguano ousa por sonhar e por extremamente humano, driblando o cinismo moderno do nosso país para apresentar uma historia experimental e simples.

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